Organograma do PCC revela associados estratégicos na facção

Organograma do PCC revela associados estratégicos na facção

Organograma do PCC e seus associados


Um novo organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol) detalha a atual estrutura hierárquica do Primeiro Comando da Capital, dividida em 12 sintonias. Além dos núcleos formais da facção, o levantamento também identifica um grupo classificado como "associados". De acordo com a investigação, os associados são pessoas que não passaram pelo chamado "batismo" da organização, mas que prestam apoio considerado estratégico. Eles atuariam principalmente em frentes como tecnologia, logística, finanças e mecanismos de ocultação de recursos. A seguir, veja quem são os nomes apontados pelo Dipol como integrantes desse grupo de apoio à facção.

1. Cleber Marcelino Dias dos Santos, conhecido como "Clebinho"


Cleber Marcelino Dias dos Santos, conhecido como "Clebinho", é apontado como associado à chamada Sintonia dos Advogados e descrito nas investigações como um dos operadores financeiros ligados ao PCC. Ele já foi condenado a 30 anos de prisão por integrar e liderar organização criminosa. Em manifestações do Ministério Público, Clebinho é retratado como peça estratégica na estrutura do grupo, com atuação relevante na gestão de recursos e na sustentação financeira das atividades atribuídas à facção.

2. José Carlos Gonçalves, conhecido como "Alemão"


José Carlos Gonçalves, conhecido como "Alemão", é citado em investigações do Ministério Público e da Receita Federal como investigado central em esquemas suspeitos de lavagem de dinheiro ligados ao PCC. De acordo com os autos, ele mantinha relações com Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, morto em 2024 e apontado como operador financeiro do grupo. As apurações indicam que Alemão utilizava mudanças sucessivas no quadro societário de empresas do setor de combustíveis para dificultar a identificação dos verdadeiros controladores dos negócios. Ele também teria ligação com a família Gonçalves Salomão, que negociou postos com Ricardo Romano, investigado por suposta atuação na lavagem de recursos em favor da facção. Em 2020, Alemão foi alvo da Operação Rei do Crime, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a atuação de empresários suspeitos de vínculos com o PCC. Nos processos, ele é descrito como peça central do esquema, em razão de supostas conexões com atividades ilícitas e com integrantes da organização criminosa. Empresário do ramo de combustíveis, nascido e criado no Tatuapé, na capital paulista, Alemão abriu sua primeira empresa em 2005. Desde então, passou a acumular participação em diversas companhias, incluindo postos registrados em seu nome e no de familiares. As investigações também apontam transações financeiras com pessoas identificadas como integrantes da facção, que, segundo a Polícia Federal, poderiam indicar tentativas de reintroduzir recursos ilícitos no sistema formal.

3. Caio Bernasconi Braga, conhecido como "Fantasma da Fronteira"


Caio Bernasconi Braga, conhecido como "Fantasma da Fronteira", foi preso em 2023 pela Polícia Federal em Ponta Porã, na divisa entre Brasil e Paraguai. Ele era considerado foragido havia pelo menos oito anos e tinha prisão preventiva decretada desde 2015 pela Justiça de Bauru. Segundo as investigações, Bernasconi teria conseguido escapar de uma tentativa de captura realizada por agentes federais na zona leste da capital paulista e, mesmo fora do radar das autoridades, chegou a participar virtualmente de audiências da Justiça Federal em Pernambuco. Para evitar a identificação, usava nome falso e se apresentava como representante comercial. Apontado como operador do tráfico internacional de cocaína, ele foi denunciado na Operação Além-Mar, que mirou o envio de drogas do Paraguai para países da Europa e da África e resultou na apreensão de toneladas do entorpecente, além do bloqueio de milhões de reais. A PF atribui a ele a responsabilidade por uma carga de 2,5 toneladas interceptada no porto de Roterdã, na Holanda. As apurações também indicam suspeitas de lavagem de dinheiro por meio da aquisição de imóveis de alto padrão e empresas registradas em nome de familiares. Em junho de 2023, ele foi transferido da Penitenciária Masculina de Regime Fechado Gameleira I, em Campo Grande (MS), para o sistema penitenciário federal, em operação sigilosa. A medida, segundo a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), foi adotada após informações de inteligência indicarem risco de plano de resgate, supostamente com envolvimento de integrantes do PCC.

4. Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como "Fuminho"


Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como "Fuminho", é apontado pelas investigações como um dos principais articuladores do tráfico internacional ligado ao PCC e aliado histórico de Marcos Willians Herbas Camacho. A parceria entre os dois remonta à década de 1990, quando atuaram juntos em roubos a bancos, antes da consolidação do esquema voltado ao narcotráfico. Condenado a 26 anos de prisão em regime inicial fechado, Fuminho passou mais de uma década na Bolívia, principalmente na região de Santa Cruz de la Sierra. Segundo as apurações, ele teria estruturado operações de envio de cocaína e armamentos, abastecendo a facção no Brasil e organizando remessas para Europa e África. Parte da droga era escoada por meio de contêineres que saíam pelo Porto de Santos. O nome de Fuminho também aparece como suposto mandante das mortes de Rogério Jeremias de Simone, o "Gegê do Mangue", e Fabiano Alves de Souza, o "Paca", assassinados em fevereiro de 2018 na região metropolitana de Fortaleza. Após permanecer foragido por mais de duas décadas, ele foi capturado em 2020 em Moçambique e posteriormente extraditado ao Brasil, onde passou a cumprir pena.

5. Mauricio Hernández Norambuena, conhecido como "Comandante Ramiro"


Mauricio Hernández Norambuena, conhecido como "Comandante Ramiro", é um ex-integrante do Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) e teve atuação ligada à luta armada contra a ditadura de Augusto Pinochet, no Chile. Em 1986, participou de uma emboscada contra o então governante, quando integrantes do grupo atacaram a comitiva presidencial na região de Cajón del Maipo. No Chile, Norambuena foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato do senador Jaime Guzmán e pelo sequestro de Cristián Edwards, herdeiro do jornal El Mercurio. Em 1996, protagonizou uma fuga cinematográfica ao deixar o presídio suspenso por um cesto preso a um helicóptero que sobrevoava a unidade prisional. Após deixar o Chile, ele se instalou no Brasil e foi apontado como um dos responsáveis pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto, em 2001. Preso em fevereiro de 2002, foi classificado pelas autoridades brasileiras como detento de alta periculosidade, considerando o histórico criminal, o risco de fuga e a gravidade dos delitos atribuídos a ele. Por isso, permaneceu por anos sob o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Segundo o Ministério Público de São Paulo, Norambuena também teria transmitido conhecimentos táticos ao Primeiro Comando da Capital, incluindo orientações para ataques a agências bancárias.

6. Mohamad Hussen Mourad, conhecido como "Primo" ou "João"


Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo" ou "João", é investigado por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, apurado na Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal. Segundo as autoridades, o grupo teria abastecido o caixa do PCC por meio de operações financeiras consideradas suspeitas. De acordo com as investigações, Mourad é apontado como controlador das distribuidoras Copape e Aster. Esta última recebeu R$ 2,22 bilhões em movimentações identificadas como atípicas dentro de um total de R$ 17,7 bilhões que passaram pelo BK Bank, fintech sob apuração. Em 2024, a atuação da Aster foi suspensa pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Os investigadores sustentam que o grupo empresarial utilizava "laranjas" para ocultar a real administração dos negócios e que as empresas operavam sob comando direto de Mourad e de um outro dirigente apontado como liderança da organização criminosa. O esquema envolveria a manipulação de preços entre as companhias para reduzir tributos e gerar créditos fiscais indevidos, além da suposta reinserção de recursos ilícitos no sistema formal.

Conclusão
A investigação do Dipol oferece uma visão detalhada da estrutura do PCC e de seus associados, que atuam em diversas frentes para garantir a sobrevivência e a expansão da facção. Ficar atento a essas informações é crucial para compreender a dinâmica do crime organizado no Brasil. Não deixe de seguir nosso blog para mais atualizações sobre segurança e justiça.