Lottenberg defende direito de defesa em conflito no Irã
01/03/2026, 18:00:22Introdução ao Conflito
Os Estados Unidos e Israel realizaram, na manhã deste sábado (28), um ataque coordenado contra o Irã, com explosões registradas em Teerã e em ao menos outras quatro cidades. Segundo um oficial israelense, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi um dos alvos da ofensiva. Em resposta, o Irã atacou bases americanas nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait, evidenciando uma crescente tensão na região.
A Escalada Militar
Este confronto eleva o risco de uma escalada militar envolvendo múltiplos países. O Irã é apoiador de grupos como o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina, que integram a aliança conhecida como "Eixo da Resistência", uma aliança militar e política informal, liderada pelo Irã, que une atores no Oriente Médio contra a influência dos EUA e de Israel, ampliando ainda mais o alcance e a complexidade do conflito.
Entrevista com Claudio Lottenberg
Em entrevista ao iG, o presidente da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg, comentou sobre a escalada no Oriente Médio. Ele ressaltou que a discussão sobre a legitimidade do ataque envolve aspectos jurídicos e políticos. "O que permanece como referência objetiva é o direito à legítima defesa diante de uma ameaça concreta e continuada", afirmou. Lottenberg enfatizou que o Irã adoptou, há anos, uma postura de hostilidade aberta contra Israel, financiando grupos armados e investindo em capacidade nuclear. "A legitimidade não nasce do desejo de confronto, mas da necessidade de impedir que uma ameaça declarada se concretize", reforçou.
Tensões Regionais e Política Externa
Sobre o risco de escalada, Lottenberg avaliou que a tensão regional já não é apenas uma hipótese. Ele mencionou que o Oriente Médio passou por mudanças significativas nos últimos anos, citando acordos entre Israel e países árabes, como os Acordos de Abraão. "O que ocorre agora não é apenas um embate bilateral. A reação em curso reflete um rearranjo mais amplo do Oriente Médio", explicou. Apesar do risco de ampliação do conflito, ele ponderou que muitos países da região não desejam uma guerra generalizada.
Posição do Brasil e Comunicação da ONU
Ao discutir a posição do Brasil, Lottenberg defendeu uma política externa baseada no diálogo e na democracia, criticando o viés ideológico recente. Além disso, ele mencionou a necessidade de considerar o histórico do Irã e seu apoio a grupos classificados como terroristas por diversos países. Sobre a possível morte de Khamenei, Lottenberg destacou que uma mudança na liderança poderia ter impactos profundos. "Uma ruptura no modelo atual poderia abrir espaço para uma reconfiguração institucional relevante", disse.
Preocupações em Relação a Vítimas Civis
Com relação às informações sobre vítimas civis, Lottenberg prefere aguardar confirmações oficiais. "Se isso se confirmar, é algo ruim e o direito internacional deve ser aplicado com rigor. Mas já vimos situações em que informações iniciais não se confirmaram", observou.
Reflexos no Brasil e Conclusão
Ele também expressou preocupação com possíveis reflexos no Brasil, alertando que momentos de alta tensão internacional frequentemente vêm acompanhados de manifestações antissemitas. Lottenberg reiterou que divergências políticas não podem justificar hostilidades contra comunidades judaicas e que a comunidade brasileira permanece atenta, confiante nas instituições democráticas e em diálogo com autoridades.
Por fim, avaliou que o cenário mais provável é de escalada inicial seguida de tentativas de mediação diplomática. "O desfecho dependerá muito do desgaste interno e externo das partes envolvidas", concluiu, enfatizando que qualquer solução duradoura deve priorizar estabilidade regional, respeito às liberdades individuais e convivência entre diferentes visões políticas e religiosas.
Últimos Acontecimentos
Recentemente, um ataque coordenado de Estados Unidos e Israel contra o Irã provocou explosões significativas, aumentando o número de vítimas, incluindo a morte de 51 meninas em um ataque a uma escola no sul do Irã. Informações não confirmadas relatam que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, pode ter sido morto. O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir a situação no Oriente Médio.