Flávio Bolsonaro apoia prefeito ligado a milícias no Rio

Flávio Bolsonaro apoia prefeito ligado a milícias no Rio

Flávio Bolsonaro e a escolha polêmica no Rio de Janeiro

O anúncio de Márcio Canella (União Brasil) como um dos candidatos ao Senado da coligação de Flávio no Rio de Janeiro na terça-feira (24) confirma a ascensão do prefeito que mantém há anos vínculos políticos com acusados de envolvimento com organizações criminosas.

ITALO NOGUEIRA RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu para compor seu palanque no Rio de Janeiro um prefeito que nomeou dois condenados por práticas de milícia como secretários municipais de Belford Roxo (RJ), cidade da Baixada Fluminense.

O anúncio de Márcio Canella como candidato ao Senado da aliança de Flávio no Rio de Janeiro, na terça-feira (24), confirma a ascensão do prefeito que, desde sua gestão iniciada no ano passado, mantém laços com figuras controversas. Canella nomeou os ex-vereadores Eduardo Araújo (PL) e Fábio Brasil, conhecido como Fabinho Varandão (MDB), para secretarias importantes do município. Araújo estava condenado por integrar uma milícia na Baixada Fluminense no momento de sua escolha, enquanto Fabinho também enfrentava problemas legais, sendo sentenciado em junho passado.

Canella se defendeu, afirmando que os dois "não fazem parte dos quadros de funcionários desde o ano passado" e que eles foram exonerados em setembro. O prefeito argumentou que a nomeação aconteceu antes que qualquer sentença transitasse em julgado, o que impediria a construção de julgamentos pessoais, reafirmando o direito de defesa previsto na Constituição.

Eduardo Araújo contestou sua condenação, afirmando que "se deu sem qualquer indícios de materialidade" e que o processo ainda está em recurso no Tribunal de Justiça, onde acredita que será revisto e levará à sua absolvição. Fabinho Varandão, através de seu advogado, também busca a anulação das condenações, alegando nulidades processuais.

Procurado, Flávio Bolsonaro não comentou sobre os vínculos do aliado.

As candidaturas de Araújo e Fabinho para reeleição em 2024 foram barradas pela Justiça Eleitoral devido às acusações que enfrentam. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) usou o argumento de que o uso de milícias armadas por partidos políticos estava proibido.

Araújo, policial militar, foi condenado em primeira instância em 2023 a uma pena de oito anos de prisão por integrar uma milícia, cuja ação gerava "uma sensação constante de insegurança, medo e intranquilidade" na região, conforme destacado na sentença judicial, onde sua influência era pertinente para evitar prisões dos membros do grupo.

Já Fabinho tem acusações severas de extorsão e porte ilegal de armas, e segundo o Ministério Público, ele explorava serviços de internet e ameaçava concorrentes em Belford Roxo.

Apesar das graves acusações e das condenações, Canella os nomeou para posições de destaque na prefeitura. Ambos foram exonerados, mas continuam a se envolver em eventos políticos e inaugurações ao lado do prefeito. Recentemente, participaram de encontros promovendo Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, que busca uma candidatura a deputado federal, devendo utilizar a base eleitoral de Canella.

Esta não é a primeira vez que Canella demonstra proximidade com figuras questionáveis no ramo político. Em sua campanha de 2018 para a Alerj (Assembleia Legislativa), ele esteve acompanhado do ex-PM Juracy Prudêncio, apontado como líder de uma milícia, que à época, cumpria pena em regime semiaberto. Juracy chegou a atrasar seu retorno à prisão para participar de comícios ao lado de Canella. Naquele período, a campanha do prefeito também teve o apoio irregular de militares e um ambiente hostil voltado contra adversários. Canella recebeu 49% dos votos na cidade, o que representa uma das mais altas taxa de aprovação entre cidades médias do Brasil. Essa aliança, no entanto, foi desfeita recentemente, e Canella manteve Giane Prudêncio, esposa de Jura, como assessora na Alerj entre 2019 e 2023.