Confusão entre parlamentares após quebra de sigilo de Lulinha
27/02/2026, 15:04:10Confusão na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)
Logo depois da aprovação dos requerimentos, parlamentares alinhados ao governo foram até a mesa da presidência da comissão, dando início a uma confusão marcada por gritos, ofensas e agressão física.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para apurar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida abrange o período de 1º de janeiro de 2022 a 31 de janeiro de 2026. A sessão entrou em intervalo após a votação.
Momentos de tensão
Logo após a aprovação dos requerimentos, parlamentares alinhados ao governo se dirigiram à mesa da presidência da comissão, resultando em uma confusão que foi marcada por gritos, ofensas e até mesmo agressão física. Os trabalhos chegaram a ser suspensos por 15 minutos. Imagens registraram um empurra-empurra entre os deputados Rogério Correia (PT) e Luiz Lima (Novo). Lima afirmou ter recebido um soco de Correia, que reconheceu a agressão e pediu desculpas.
"Quebraram o sigilo do Lulinha na CPMI do INSS, com direito a pancadaria. Ralé." afirmou a deputada Ludmila Lins Grilo em uma rede social.
Aprovando a quebra de sigilo
O Requerimento nº 2.939/2026 foi protocolado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). Conforme revelou o Metrópoles, Lulinha teria recebido uma mesada de cerca de R$ 300 mil de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Essa informação foi apresentada em depoimento prestado à Polícia Federal por uma testemunha que foi posteriormente encaminhada à CPMI.
Denúncias e desdobramentos
O relato foi feito por Edson Claro, ex-funcionário de Antunes, que alega estar sendo perseguido pelo antigo empregador. Segundo ele, o empresário teria pago R$ 25 milhões a Fábio Luís, além de repassar aproximadamente R$ 300 mil mensais. O depoimento não detalha a moeda utilizada na suposta transferência de R$ 25 milhões.
Ainda segundo a coluna, Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador do INSS, e André Fidelis, ex-diretor de Benefícios, estariam preparando delação premiada para tratar da atribuição de Lulinha nos descontos indevidos. A defesa do ex-presidente, no entanto, declarou que ele "não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa".
Convocação de testemunhas
A comissão também aprovou a convocação de Gustavo Marques Gaspar, empresário e ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), como testemunha, a pedido da deputada Coronel Fernanda (PL-MT). O senador foi alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em 18 de novembro, com busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
Weverton compartilhou o uso de um jatinho Beech Aircraft F90, prefixo PT-LPL, com Antunes. Documentos citados pelo Metrópoles indicam que o lobista utilizou a aeronave ao menos duas vezes em 2024, em voos saídos de aeroporto executivo em São Paulo. Em 2025, o senador também foi fotografado utilizando o mesmo avião em viagens entre Brasília, São Paulo e São Luís.