Flávio busca palanques com PL em todos os estados

Flávio busca palanques com PL em todos os estados

Estratégias do PL para as eleições

A orientação do PL para suas lideranças estaduais é clara: buscar a presença do partido nas chapas majoritárias em todos os estados. O objetivo é ter, em cada unidade da federação, pelo menos um candidato ao governo ou ao Senado fazendo campanha ativamente para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é o pré-candidato do partido à Presidência.

Definição dos palanques

A escolha dos palanques ficará a cargo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que será responsável por selecionar os candidatos ao Senado, enquanto Valdemar Costa Neto, presidente do PL, definirá os nomes para as candidaturas a governos estaduais.

Como foi destacado pela Folha, Bolsonaro já formalizou o palanque em Santa Catarina, onde Carlos Bolsonaro (PL) e a deputada federal Caroline de Toni (PL) são candidatos ao Senado. Caroline era o nome preferido de Michelle Bolsonaro (PL) para essa posição.

Em Goiás, o ex-presidente optou pelo deputado Gustavo Gayer (PL) para uma das vagas ao Senado. O foco de Bolsonaro é deixar a segunda vaga para o governador Ronaldo Caiado (PSD), que também é pré-candidato à Presidência. A ideia é garantir apoio a Flávio já no primeiro ou segundo turno, caso Caiado desista de sua candidatura presidencial.

Articulações nacionais

Atualmente, Flávio está nos Estados Unidos participando de um evento conservador com seu irmão, após ter retornado de outra viagem internacional e do Carnaval. Com o retorno, ele se dedicará à articulação nacional de sua candidatura, que inclui a montagem de palanques nos estados. Para isso, ele tem um encontro agendado com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a próxima semana e já se encontrou com Bolsonaro, que está em regime prisional.

Plano de ação do PL

A determinação do PL é que, mesmo em estados onde o partido não lance candidatos a governador, haja ao menos um candidato ao Senado para garantir um palanque para Flávio. O PL também busca evitar que candidatos ao governo de partidos aliados tentem esconder a associação com Flávio, especialmente em estados com forte presença lulista.

Líderes do partido afirmam que é essencial estar na disputa majoritária, mesmo quando não é viável concorrer ao governo, a fim de que um candidato reforce o número 22 aos eleitores, que será utilizado por Flávio. Entretanto, essa estratégia enfrenta desafios na formação de alianças locais.

Alianças e candidaturas

Para estrategistas do PL, é mais benéfico ter um candidato a governador capaz de transferir votos para Flávio, mesmo que seja de outro partido. Nesses casos, o PL tentará compensar com uma candidatura própria ao Senado.

Outra abordagem é contar com candidatos a deputado federal que consigam puxar votos, equilibrando a ausência de um candidato próprio ao governo. Membros do partido mencionam que uma aliança com a federação União Progressista, composta por PP e União Brasil, já está sendo negociada em alguns estados, incluindo o Rio de Janeiro.

Desafios em Santa Catarina e São Paulo

O arranjo em Santa Catarina distancia o PP de uma aliança com Flávio. Bolsonaro defende uma chapa pura na corrida pelo Senado, o que pode criar atritos com o governador Jorginho Mello (PL), que concorrerá à reeleição e prefere apoiar a reeleição do senador Esperidião Amin (PP).

Amin, que não recebeu apoio de Bolsonaro, deve seguir em frente como candidato ao Senado de forma independente, já que ele preferia integrar a chapa do PL, o que também seria estratégico para o partido de Valdemar.

No maior colégio eleitoral do Brasil, São Paulo, o PL está avaliando como pode entrar na chapa majoritária. O partido apoiará a reeleição de Tarcísio, que se comprometeu a lançar o deputado Guilherme Derrite (PP) ao Senado, seu ex-secretário de Segurança Pública.

Concorrência e novas candidaturas

A disputa em São Paulo está acirrada, especialmente após o anúncio do deputado Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, de que também disputará uma vaga no Senado.

A orientação do PL é buscar apoio de partidos de direita e centro-direita, e eles trabalham com a possibilidade de que Flávio possa ter mais de um palanque em determinados estados, o que seria vantajoso em comparação a Lula (PT).

Cenário em Minas Gerais e Pernambuco

Em Minas Gerais, as candidaturas de direita estão sendo cogitadas. O vice-governador Matheus Simões (PSD) planeja concorrer ao governo, enquanto apoia Romeu Zema (Novo) à Presidência. Flávio tenta convencer Zema a ser seu vice, mas até agora não obteve sucesso.

Por outro lado, o possível lançamento de uma candidatura à presidência pelo PSD de Gilberto Kassab pode enfraquecer o apoio de Flávio entre candidatos a governador da centro-direita em alguns estados, embora isso seja minimizado por simpatizantes do senador.

Expectativas para 2026

A preparação do PL para a eleição de 2026 é vista como mais competitiva do que em 2022. Na última eleição nacional, o partido lançou candidatos a governador em 12 estados, obtendo sucesso em apenas 2, Jorginho Mello em Santa Catarina e Cláudio Castro no Rio de Janeiro.

Desta vez, o PL planeja estabelecer um palanque próprio em Mato Grosso, com a candidatura de Wellington Fagundes (PL). Em Pernambuco, o partido pretende tentar colocar apenas um candidato ao Senado, o ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira, buscando maximizar a chance de vencer uma das vagas senatorial diante da forte divisão da esquerda no estado, que é amplamente favorável a Lula.