Lula destaca dualidade da IA em cúpula na Índia

Lula destaca dualidade da IA em cúpula na Índia

Visita oficial à Índia

Em visita oficial à Índia para a Cúpula sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA), nesta quinta (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o que chamou de "dominação algorítmica". A declaração ocorre em um ano eleitoral, quando a tecnologia que promete eficiência se revela como a maior fonte de incerteza para a integridade do voto.

Posicionamento do presidente

Lula foi enfático ao declarar que a concentração do controle tecnológico nas mãos de poucas empresas e nações não representa progresso, mas uma forma de poder. "Quando poucos controlam os algoritmos, não é inovação, é dominação", afirmou em seu pronunciamento na Cúpula. Para o governo brasileiro, a IA deve ser um terreno onde o país deixa de ser apenas consumidor para tornar-se um regulador ativo.

A ambiguidade da IA

A ambiguidade da Inteligência Artificial é o ponto central do debate político atual. Se, por um lado, ela pode otimizar a gestão pública e facilitar o acesso à informação, por outro, as distorções podem desestabilizar a disputa nas urnas. "Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas", destacou Lula.

Desafios futuros

Segundo o professor e estrategista político Marcos Marinho, a capacidade da tecnologia, quando utilizada para prejudicar o processo democrático e político, pode ter efeitos altamente destrutivos. Para ele, o cenário político de 2026 configura-se como um "campo de batalha". A geração de áudios e vídeos falsos com alta precisão permite que campanhas de desinformação atinjam eleitores de forma personalizada e quase indetectável pelas agências de checagem em tempo real.

Papel da Justiça Eleitoral

Por outro lado, a IA também pode ser utilizada como uma ferramenta pela Justiça Eleitoral para monitorar disparos em massa e identificar padrões de comportamento inorgânico que tentam fraudar o debate político.

Propostas para a governança global

O presidente destaca que a proposta é criar um marco regulatório multilateral que impeça que as "caixas-pretas" dos algoritmos decidam o que é verdade ou mentira durante uma campanha presidencial. Ao vincular a tecnologia à soberania nacional, Lula afirma que o governo não aceitará que a inovação tecnológica se sobreponha à vontade popular.

Conclusão

Com essa visita de cinco dias à Índia, que vai até 22 de fevereiro de 2026, a comitiva do Governo Federal busca oportunidades econômicas, tecnológicas, turísticas, agrícolas, energéticas e sustentáveis. O futuro da IA no Brasil é um tema central nas discussões políticas e eleitorais, com implicações diretas na forma como a democracia será preservada e fortalecida.