Estratégia de segurança da UE é renovada contra Rússia

Estratégia de segurança da UE é renovada contra Rússia

Nova estratégia de segurança europeia em discussão


A chefe de política externa e segurança da União Europeia (UE), Kaja Kallas, afirmou neste domingo que está trabalhando em uma "nova estratégia de segurança europeia" com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Na 62ª edição da Conferência de Segurança de Munique, que chega ao terceiro e último dia, ela apontou para as percebidas ameaças que preocupam líderes europeus, especialmente uma guerra híbrida e atos de sabotagem contra a infraestrutura europeia, supostamente pela Rússia. A estratégia abordará "todas as dimensões da segurança europeia" numa era geopolítica considerada cada vez mais hostil.

Prioridade na defesa e desafios atuais
A defesa, segundo Kallas, é prioridade. "Começa na Ucrânia, mas sabemos que o objetivo final da Rússia não é o Donbass", ela disse, mencionando a guerra em território ucraniano. "As exigências maximalistas da Rússia não podem ser respondidas com uma resposta minimalista." Ao abrir um painel intitulado "Europeus, unam-se! Recuperando liderança em um mundo mais duro", Kallas exaltou a identidade, as conquistas e o poder de atração do bloco, em resposta direta aos Estados Unidos. "Contrariamente ao que algumas pessoas dizem, a Europa 'woke' e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional", afirmou.

A ampliação da UE como antídoto
Também presente na conferência, o secretário de Estado, Marco Rubio, retratou um cenário de desmantelamento da civilização europeia. Ele ecoou a mais recente Estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca, destacando o risco de um "apagamento civilizacional" devido à migração, mudanças culturais e à queda nas taxas de natalidade. Kallas identificou a ampliação da UE como "o antídoto ao imperialismo russo". Nove países do Leste Europeu, incluindo a Ucrânia, são candidatos a ingressar no bloco, embora os Estados-membros ainda não estejam prontos para oferecer uma data concreta para a adesão.

Cláusula de segurança mútua
Diante da atmosfera de insegurança, von der Leyen já citou a cláusula de defesa mútua da UE durante a conferência. "Acredito que chegou a hora de dar vida à cláusula de defesa mútua da Europa", argumentou. O compromisso de "um por todos e todos por um" deve ser baseado na confiança e na capacidade; caso contrário, perde sua efetividade.

Menos dependência dos EUA
Os governos europeus também estão ponderando maneiras de reduzir sua dependência em relação aos EUA, que é visto como um parceiro cada vez mais instável. Rubio pregou uma aliança conservadora com a Europa e condenou os erros de ambas as partes na manutenção da soberania nacional, afirmando que "estamos preparados, se necessário, para fazermos isso sozinhos."