Nuvem funil se forma em Pelotas durante temporal
14/02/2026, 09:04:11
Fenômeno de curta duração foi confirmado pela Defesa Civil após registros de moradores; meteorologistas alertam para instabilidade durante o Carnaval
Uma nuvem funil de curta duração atingiu a cidade de Pelotas (RS). O fenômeno climático foi observado por moradores do local, que acharam que seria um tornado. Registros em fotos e vídeos ajudaram a Defesa Civil a identificar e confirmar a ocorrência.
A nuvem funil ocorreu em meio a um temporal que atingiu a cidade e demais regiões do estado na última quinta-feira (12). A região sul do Brasil, em especial o próprio Rio Grande do Sul, passará por uma forte instabilidade climática nos próximos dias. Haverá diferenças de temperatura importantes, bem como distribuição de calor e chuvas, por todo o estado. O final de semana de Carnaval será marcado por tempo abafado, mas não com temperaturas extremas.
Os funis de ar frio ou nuvens funil, são pequenos tornados, relativamente fracos, que podem se originar de uma chuva ou tempestade quando o ar em altitude está excepcionalmente frio, explica a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Ao iG, Carlos Timm, Diretor da Secretaria da Defesa Civil, confirmou que o fenômeno registrado não era, de fato, um tornado. Ele lembra que nuvem funil faz estragos aleatórios no solo, como destelhamentos e quedas de árvores. Timm ainda informou que, em Pelotas, o pico da nuvem funil chegou a 75 km/h, com pluviometria de 40mm em 30 min.
A explicação vem da equipe de meteorologia do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). A principal diferença entre os ciclones e os tornados está no tamanho e no tempo de duração. “Os ciclones são sistemas atmosféricos de baixa pressão, caracterizados por ventos que giram em espiral em torno de um centro. Essa rotação ocorre no sentido horário no Hemisfério Sul, devido à ação da força de Coriolis, que é o efeito da rotação da Terra sobre a movimentação do ar”, conta Júlia Munhoz, meteorologista do Simepar. Já os tornados são fenômenos muito menores e extremamente concentrados. Eles geralmente se originam de tempestades severas, especialmente supercélulas, que possuem uma região de rotação interna, denominada de mesociclone. “O tornado se forma quando essa rotação se intensifica e se estende até o solo. Embora seus ventos possam superar os de um furacão, os tornados têm dimensões muito reduzidas — normalmente centenas de metros a poucos quilômetros — e duram poucos minutos. Seus impactos são altamente localizados, enquanto os ciclones podem afetar regiões inteiras durante vários dias”, ressalta Júlia.
Na reta final de 2025, Brasil presenciou tornado devastador no Paraná. Em novembro, um tornado arrasou a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná. Em pouco menos de um minuto, o fenômeno destruiu cerca de 90% do pequeno município, distante 382 km da capital Curitiba. O evento climático ocorreu no dia 7 daquele mês, uma sexta-feira. O tornado que destruiu Rio Bonito do Iguaçu foi classificado na categoria F4 (são considerados devastadores, com velocidade do vento estimada entre 332 km/h e 418 km/h). Prédios públicos, mercados, ginásios esportivos e casas foram diretamente afetados pela passagem do fenômeno climático. A Defesa Civil informou que seis pessoas morreram na tragédia e os efeitos do tornado podem ser ainda sentidos em cidades próximas ao município, como Laranjeiras do Sul, Cantagalo e Guarapuava. Desde novembro do ano passado, o Governo do Estado já destinou R$ 17,8 milhões aos moradores da cidade.
