Polícia Federal investiga repasses envolvendo Toffoli e Vorcaro
13/02/2026, 06:00:38
Investigação da Polícia Federal sobre repasses a Toffoli
A Polícia Federal está em curso na investigação de transferências financeiras realizadas por uma empresa que possui ligação com o Banco Master ao ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo apurações, a empresa Maridt, que foi sócia em um empreendimento de resort, teria feito pagamentos ao ministro, cuja participação se dá por meio de irmãos que possuem vínculo acionário.
Toffoli, em declarações a seus interlocutores, informou que os repasses estão relacionados a sua condição de sócio na empresa com familiares. Essa é a primeira revelação do ministro sobre sua associação com o resort Tayayá e a companhia gerida por seus irmãos.
A investigação da PF contempla também a possibilidade de transferências financeiras realizadas após a venda da participação dos irmãos de Toffoli no resort ao fundo Arleen, associado ao Banco Master. Entre 2021 e 2025, conforme alvo de reportagens do jornal Folha de S.Paulo, os irmãos do ministro controlaram o resort, situado no Paraná, com a sociedade do fundo Arleen, que ingressou em 2021 através da compra de cotas patrimoniais. O fundo Arleen é vinculado a outra entidade, o Leal, que pertence a Fabiano Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro, o controlador do Banco Master.
Investigadores que acompanham o caso consideram que as informações coletadas até agora podem sugerir uma relação financeira entre o resort e o ministro, que é um frequentador assíduo do Tayayá e utiliza uma propriedade na localidade. Para que as investigações possam prosseguir em relação a Toffoli, a obtenção de autorização do próprio STF é indispensável, uma vez que o ministro está envolvido como relator do caso.
A PF encontrou no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, comunicações que incluem menções ao ministro. De acordo com informações confirmadas pela Folha e reveladas pelo UOL, Toffoli, em conversas particulares, alegou que não mantinha contato com Vorcaro, mas admitiu a possibilidade de haver mensagens em que seu nome é mencionado. O STF ainda não se posicionou a respeito de tais alegações.
A implicação do ministro levou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a encaminhar os dados colhidos ao presidente do STF, Edson Fachin, com solicitações para que se incluam novas investigações sobre as menções feitas a Toffoli. Conforme informado, o material foi pessoalmente entregue a Fachin na segunda-feira (9).
A defesa de Vorcaro manifestou preocupação com vazamentos de informações que poderiam levar a mal-entendidos e constrangimentos, além de favorecer a elaboração de narrativas incorretas que comprometem o direito à defesa. Eles esperam que a apuração ocorra de maneira isenta.
As novas informações aumentaram a pressão para que Toffoli se desvincule da relatoria do caso. Sua atuação já havia gerado questionamentos desde a assunção do caso no ano anterior, e a conexão com o Tayayá intensificou as críticas. Em um relatório que foi enviado a Fachin, a PF sinalizou elementos que podem justificar uma declaração de suspeição do ministro. O presidente do STF já intimou Toffoli a se manifestar sobre essa solicitação.
Ao se dirigir a auxiliares, o ministro afirma que não vê motivos para se afastar do caso. Seu gabinete emitiu uma declaração onde afirma que "o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações" e defende que a instituição não possui legitimidade para esse tipo de requerimento, segundo o artigo 145 do Código de Processo Civil. Um pedido semelhante já havia sido feito pela PF à Procuradoria-Geral da República, mas o procurador-geral, Paulo Gonet, optou por não dar seguimento, após já ter afastado a suspeição em um requerimento patrocinado por parlamentares de oposição. No âmbito do STF, a análise sobre a arguição de suspeição é prerrogativa exclusiva da PGR, o que colocaria em dúvida a legitimidade da PF para fazer esse pedido. Apesar disso, Fachin seguiu com o procedimento e notificou Toffoli para uma resposta.
A apuração das atividades do Banco Master também evidencia um possível envolvimento de figuras políticas com foro privilegiado. Materiais coletados durante a primeira fase da Operação Compliance Zero contêm referências a líderes partidários e autoridades de alta patente. Qualquer investigação futura sobre esses indivíduos deverá ser conduzida no STF.
A prisão de Vorcaro resultou em uma série de ações da PF, incluindo a quebra de sigilos, apreensão de documentos e acesso ao celular do banqueiro, ampliando o foco das investigações. Ele vendeu parte de uma empresa operadora de jatinhos a um fundo da Reag em um período de crise do Banco Master, momento que antecedeu sua prisão. Essa operação foi associada a um fundo administrado pela Reag, que está sob investigação pela Polícia Federal, e ocasionou mudanças na liderança da empresa.
