Epstein tem CPF ativo no Brasil, revelam arquivos dos EUA

Epstein tem CPF ativo no Brasil, revelam arquivos dos EUA

Arquivos revelam CPF de Epstein no Brasil

Os últimos arquivos do caso Jeffrey Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mostraram que o financista bilionário, falecido na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento pelas acusações de exploração sexual de menores de idade e tráfico humano, tem um CPF regular junto à Receita Federal do Brasil. O documento expedido em nome de Epstein foi citado em uma lista de bens apreendidos pelas autoridades norte-americanas. No que parece ser um inventário de documentos apreendidos pela polícia, as autoridades americanas apontam a existência de um "CPF brasileiro" junto com uma procuração. Não há informações, no entanto, sobre qualquer possível uso dado por Epstein ao documento.

Vínculos com o Brasil

Os arquivos divulgados do caso Epstein mostraram alguns vínculos com o Brasil e com cidadãos brasileiros. Em e-mails e trocas de mensagem com uma série de interlocutores, Epstein mencionou políticos, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, e empresários como Eike Batista. Não há confirmação sobre contato direto com nenhum deles. A apresentadora Luciana Gimenez também teve seu nome citado em documentos bancários nos arquivos de Jeffrey. Logo depois da divulgação da informação, a apresentadora foi às redes sociais explicar que nunca manteve nenhuma relação com Jeffrey e que seu nome apenas estava entre os clientes do banco investigado, em 2019. Luciana Gimenez disse ser vítima de fake news e ameaçou processar quem envolveu seu nome no caso.

O escândalo sexual de Epstein

O escândalo sexual envolvendo Jeffrey Epstein veio a público em 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida (EUA), o investigou por abuso sexual de menores. Na época, ele afirmou que os encontros foram consensuais e que acreditava que as vítimas tinham 18 anos. Segundo a acusação, o bilionário abusou de menores ou recrutou garotas para atos sexuais entre 2002 e 2005. Em 2008, ele se declarou culpado pelo crime de exploração de menores e firmou um acordo para cumprir 13 meses de prisão e pagar indenizações às vítimas. Em fevereiro de 2019, um juiz distrital da Flórida considerou o acordo ilegal.

Em julho do mesmo ano, Epstein foi preso e formalmente acusado de abuso de menores e de operar uma rede de exploração sexual. Dezenas de mulheres acusaram Epstein de forçá-las a prestar serviços sexuais a ele e a convidados em uma ilha particular no Caribe e em casas que ele mantinha em Nova York, na Flórida e no Novo México. À época, promotores federais defenderam que Epstein deveria permanecer preso até o julgamento. Ele foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019. A autópsia concluiu que ele tirou a própria vida. Dois dias antes de morrer, o bilionário assinou um testamento deixando um patrimônio avaliado em mais de US$ 577 milhões. Os últimos arquivos liberados pela Justiça dos Estados Unidos revelaram também novos detalhes sobre o dia da morte do empresário na cadeia, vídeos e fotos inéditas.