Até as baratas que vivem escondidas, um dia nos livramos delas

Ler sendo capaz de interpretar é fruto de muita leitura, escrita e poder de observação. Não é para todos. E, baratas visitam túmulos.

Até as baratas que vivem escondidas, um dia nos livramos delas

O provérbio russo “Até as baratas que vivem escondidas, um dia nos livramos delas” traduz com perfeição o quanto o mundo é cheio e permeado de baratas — ou de pessoas que representam bem o papel das baratas, uma das poucas sobreviventes ao uso de uma bomba nuclear. As baratas sobrevivem ao bombardeio nuclear.

Assim como as baratas, algumas pessoas se comportam de forma asquerosa por pura maldade que carregam consigo, tanto pelo que pensam e não falam — calam-se em suas próprias defesas — quanto pelo que exprimem em suas falas, exalando toda a podridão que carregam na alma.

Vivem e sobrevivem das fétidas palavras pronunciadas sempre aos ouvidos de quem desejam contaminar com ira e rancor, objetivando tão somente prejudicar aqueles que apenas vivem e sobrevivem sendo capazes. A capacidade, sendo um vazio que se hospeda entre os incompetentes, transforma-os em potenciais destruidores do bem, pois dele não dispõem.

As baratas são notívagas e, por isso mesmo, passam os dias escondidas ou em lugares desabitados — praias virgens sob o aspecto das visitas humanas; topos de morros onde apenas os pássaros sobrevoam, quais albatrozes do Navio Negreiro de Castro Alves. Na maior parte do tempo, ocupam cavernas onde não sejam vistas.

As baratas, por necessidade de alimento, ainda saem à noite visitando lixões em busca de manter sua energia negativa, perceptível a todos quando se aproximam de outrem.

As baratas humanas, por vezes, já gozaram até do poder, e o que mais lhes dói é saber que o seu tempo passou, por não saberem reconquistar o queijo que lhes fora retirado da mesa por sua própria existência maléfica.

Dedico este simplório artigo àqueles que vivem e sobrevivem do ostracismo autoprovocado e do desprezo imposto pelos crédulos no que dizem, agradando ou não a quem precisa ouvir.

Creditos: Professor Raul Rodrigues