Código de Condutas de Fachin gera polêmica no STF
05/02/2026, 18:01:03Código de Conduta e Suas Implicações
A proposta do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, de implementar um código de conduta para os ministros da Corte e outros tribunais superiores, está gerando discussões intensas. Apesar de seu objetivo ser o de criar regras que garantam transparência e padrões de comportamento, o plano já enfrenta resistências. Fachin argumenta que não tem a intenção de constranger seus colegas, mas sim de protegê-los de "suspeitas e ilações" que têm aumentado com o escrutínio público sobre a atuação do STF.
Reações entre os Ministros
A ministra Cármen Lúcia será a relatora da proposta, que, segundo ela, irá desencadear um verdadeiro desafio. Alguns ministros já expressaram descontentamento com a ideia, apontando que Fachin, como coordenador dos trabalhos, não tem autoridade para impor essas regras. Contudo, Fachin está determinado a deixar sua marca durante sua gestão, especialmente em um momento de crítica intensa sobre a possível relação de magistrados com o Banco Master.
Conflitos de Interesses e Desafios Legais
O caso que envolve o ministro Dias Toffoli e o Banco Master está sob sigilo no STF e levanta questões sobre conflitos de interesse, especialmente porque empresas ligadas a familiares de Toffoli teriam participado de um fundo de investimento ligado ao caso. Especialistas afirmam que isso pode representar um potencial conflito de interesse, já que Toffoli tem tomado decisões cruciais sobre o caso.
Além das críticas sobre suas viagens em um jato com um advogado do Banco Master, Toffoli enfrentou pedidos de impeachment e representações por suspeição. Essa situação ressalta a necessidade de um código de conduta que evite que situações assim coloquem toda a Corte sob suspeita.
Limites Impraticáveis?
Um dos pontos mais controversos do código de conduta proposto diz respeito aos limites que ele poderá estabelecer sobre as relações dos ministros fora do tribunal. A proposta sugere a transparência sobre vínculos familiares e patrimoniais que poderiam gerar questões éticas. Contudo, a definição de quem um ministro pode ou não se relacionar fora de sua função judicial é complexa e pode causar desconfortos.
Limitar a participação em eventos e viagens é uma outra questão que pode gerar polêmica. A resposta para essas perguntas não é simples e pode resultar em descontentamento entre os ministros, especialmente se suas atividades privadas se verem comprometidas.
Desafios Futuros
Enquanto Fachin tenta ganhar apoio popular para sua proposta, ele e Cármen Lúcia devem se preparar para a resistência interna. A implementação desse código de conduta não será uma tarefa fácil, já que envolve equilibrar a expectativa da sociedade com os direitos e liberdades dos ministros em suas vidas pessoais.
O que se observa é que a proposta, apesar de bem-intencionada, pode gerar mais enfraquecimento entre os membros da Corte. Cármen Lúcia, ao assumir a relatoria, certamente terá um trabalho árduo pela frente, pelo menos até que um consenso seja alcançado. A questão, no entanto, é até onde isso poderá ir sem comprometer a autonomia e a confiança que a sociedade depositou no STF.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG.