Campo Limpo Paulista enfrenta crise política na Câmara Municipal
29/01/2026, 09:06:25Introdução ao Conflito Político
Campo Limpo Paulista, no interior de São Paulo, vive um momento de forte tensão política. A Câmara Municipal se transformou no centro de uma disputa de poder que vai além do debate institucional e levanta questionamentos jurídicos sobre o uso do Legislativo como ferramenta de pressão contra a administração municipal.
Uma Disputa Econômica e Política
Nos últimos meses, uma queda de braço entre parte dos vereadores e o Executivo se intensificou e abriu caminho para uma articulação política que pode resultar no afastamento do prefeito Adeildo Nogueira (PL), não por decisão popular, mas por manobras regimentais conduzidas dentro da Câmara.
Abertura da Comissão Especial de Investigação
O episódio mais recente desse embate é a abertura de uma Comissão Especial de Investigação, a CEI. Oficialmente, a comissão apura questões administrativas. Nos bastidores, porém, vereadores ouvidos pela reportagem afirmam que a investigação passou a ser usada como instrumento político para enfraquecer o Executivo e criar ambiente favorável a um afastamento.
A Polêmica na Aprovação da CEI
A CEI foi aprovada em uma sessão marcada por polêmica. Um vereador da base governista estava afastado por motivo de saúde e o suplente não foi autorizado a assumir a cadeira. Na mesma sessão, outro parlamentar também se ausentou por problemas de saúde. Mesmo assim, o pedido de investigação foi colocado em votação de última hora, sem previsão na pauta oficial, o que garantiu a maioria momentânea à oposição.
Articulações Nos Bastidores
A movimentação não parou na abertura da comissão. Nos bastidores da Câmara, a reportagem apurou que há uma articulação para afastar vereadores da base governista de votações decisivas, sob a justificativa de suposto conflito de interesses.
- Um caso já ocorrido chama atenção. Um vereador foi retirado de uma comissão pelo fato de ter um familiar que atua como estagiário educacional no Poder Judiciário, situação que, segundo especialistas, não configura impedimento legal.
- O episódio passou a ser citado internamente como precedente para novas exclusões, ampliando a preocupação sobre o uso de critérios frágeis para alterar o equilíbrio das votações.
Com a retirada desses parlamentares, a oposição abriria caminho para obter maioria e avançar em medidas mais duras contra o prefeito.
Questões Legais e Preocupações
Especialistas em direito público ouvidos de forma reservada avaliam que esse tipo de prática pode ferir princípios básicos da Constituição. Afastar vereadores eleitos ou um prefeito sem base legal clara, sem análise aprofundada da lei e sem garantir ampla defesa pode tornar qualquer decisão ilegal e facilmente questionável na Justiça.
Contexto da Crise Política
A crise política já vem se arrastando desde o ano passado. O conflito entre o Executivo e parte do Legislativo não começou agora. A relação se deteriorou após o prefeito negar o repasse de cerca de R$ 6 milhões à Câmara Municipal, verba que seria destinada a reformas e outras demandas internas do Legislativo. Essa decisão acirrou os ânimos e fortaleceu o discurso de enfrentamento político.
Ambiente Tenso e Conflito
Desde então, o clima na Câmara passou a ser de confronto constante, com sessões tensas e pouca disposição para diálogo institucional, criando um ambiente de instabilidade que agora se intensifica.
Papel da Presidência da Câmara
O presidente da Câmara, Antonio Fiaz Carvalho, o Tonico, é citado nos bastidores como figura central na condução do processo. Cabe à presidência organizar as sessões, garantir o cumprimento do regimento e preservar o equilíbrio institucional. Para vereadores da base governista, decisões recentes acabaram favorecendo um grupo específico e permitindo o avanço da crise política no município.