Motoboys protestam no Centro do Rio por mais segurança

Motoboys protestam no Centro do Rio por mais segurança

Motoboys paralisam o centro do Rio em busca de justiça

No fim da tarde desta segunda-feira (26), um grande congestionamento tomou conta das principais avenidas do Centro do Rio de Janeiro, como a Avenida Rio Branco, Presidente Antônio Carlos e vias de acesso à Rua da Ajuda, onde está localizado o prédio da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), conhecida como a “Casa do Povo”. A paralisação foi organizada por motoboys de diferentes regiões da cidade, revoltados com a crescente violência contra a categoria.

Nas últimas semanas, ao menos três entregadores foram mortos enquanto trabalhavam, casos que os manifestantes classificam como assassinatos e não apenas estatísticas da criminalidade. Paulo Vitor de Souza Lopes, de 22 anos, foi a última vítima. O jovem foi assassinado a tiros enquanto fazia uma entrega de pizza em Senador Vasconcelos, na noite deste domingo (25).

O grupo percorreu bairros da Zona Oeste e Zona Norte, passou pelo Palácio Guanabara e seguiu até a Alerj para cobrar respostas dos deputados estaduais e das autoridades de segurança pública. "A gente está pedindo mais segurança por parte do governador do Estado e justiça pelas mortes de três rapazes que trabalhavam como entregadores em menos de uma semana. Um morreu ontem com um tiro na cabeça, outro no Caxambi e outro em Vista Alegre", afirmou o motoboy Átila Vitorino, de 33 anos, ao relatar que a violência tornou o trabalho diário um risco constante.

"A criminalidade avançou muito, está tendo muitos assaltos. A gente sai de casa e não sabe se volta. O governador tem que botar mais policiamento na rua", disse. Pai de um menino de quase dez anos, ele destaca que a moto é seu sustento. "Mesmo com seguro, ele não segura a nossa vida. O seguro é só da moto. Ontem um rapaz em Campo Grande tomou um tiro e morreu. Isso não tem cobertura".

Já para Ana Beatriz, de 25 anos, familiar de motoboy, a sensação de insegurança é desesperadora. "A gente está protestando porque ontem e anteontem mataram amigos nossos. Motoboy estava trabalhando. Meu esposo também é motoboy e vive essa realidade". Ela reforça a sensação de abandono e medo constante. "Falta muita segurança. Segurança pra trabalhar seria mais policiamento nas ruas, mais rondas de moto. A gente só quer trabalhar e voltar pra casa vivo".

Para o motoboy Vinícius Reis, de 26 anos, a situação de abandono é latente. "A gente veio de Guadalupe porque estamos abandonados. O que a gente quer é policiamento". Vinícius cobra uma atuação mais efetiva do Estado. "Não adianta botar policiamento contra quem está trabalhando. Tem que focar em quem está roubando e deixar a gente trabalhar".

Ele lembra que os motoboys estão em toda parte da cidade. "A gente alimenta famílias, leva filhos, pais, todo mundo. Muitos policiais também são motoboys. E estão sendo assassinados não por serem policiais, mas por serem motoboys", finalizou.

A manifestação de motoboys provocou interdições parciais na Avenida Nilo Peçanha, no Centro do Rio de Janeiro. Duas faixas da via foram bloqueadas na altura da Rua da Ajuda, impactando diretamente o tráfego na região. Houve retenções a partir da Rua da Carioca, com reflexos em outras vias do entorno.

Como alternativas, motoristas que saem da Praça Tiradentes puderam seguir pela Avenida República do Paraguai, passando pelo Largo da Lapa e pela Avenida República do Chile, em direção à Avenida Almirante Barroso. Outra opção indicada foi o acesso pela Avenida República do Paraguai, Rua do Passeio, Rua Santa Luzia e Avenida Presidente Antônio Carlos.

O Portal iG procurou a prefeitura do Rio de Janeiro para maiores esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.