A nova forma de fazer “política”: perseguindo o adversário
28/01/2026, 18:02:42Será que dizer que o governo nunca fez nada dá resultado? Será que dizer que Guilherme nunca touxe nada para Penedo o povo acredita? Se desse resultado, 2024 teria sido diferente. Indo assim, 2026 será ainda maior a diferença.
A política, que deveria ser o espaço do confronto de ideias, projetos e visões de futuro, vem sendo substituída por um método cada vez mais raso e perigoso: a perseguição sistemática ao adversário. Não se debate mais propostas; constrói-se dossiês. Não se busca convencer o eleitor; tenta-se destruir a reputação do outro.
Essa nova “política” opera pela lógica do medo. Usa investigações seletivas, vazamentos oportunos, narrativas fabricadas e o peso das instituições — ou de parte delas — como instrumentos de intimidação. O adversário deixa de ser um concorrente legítimo e passa a ser tratado como inimigo a ser eliminado do jogo.
O problema é que, quando a perseguição vira método, a democracia vira fachada. O processo político deixa de ser decidido nas urnas e passa a ser resolvido nos tribunais, nas manchetes dirigidas ou nos bastidores do poder. Cria-se um ambiente em que pensar diferente é risco, discordar é ameaça e se posicionar vira sentença.
Mais grave ainda é o silêncio cúmplice de quem se beneficia desse modelo. Muitos que hoje aplaudem a perseguição esquecem que o precedente criado sempre cobra seu preço. O mecanismo que hoje atinge o adversário, amanhã pode se voltar contra qualquer um que ouse sair da linha.
Perseguir não é governar. Criminalizar a política é o caminho mais curto para desmoralizar a democracia. Uma sociedade que normaliza a perseguição política não fortalece instituições — apenas as transforma em armas.
No fim, o eleitor perde, o debate empobrece e o país anda para trás. Porque quando a política abandona o diálogo e adota a perseguição, o que se constrói não é justiça nem ordem, mas medo, ressentimento e autoritarismo disfarçado de virtude.