Porquê nos predemos no tempo sobre educação financeira
26/01/2026, 07:41:04Dos contadores da época, Manuel Lima, Arlindo Ferreida de Moraes, Rui Resende, Joaquim Reis, e os seus seguidores, que deixaram marcas quanto ao domínio das contas. A diferença entre aperto financeiro é o tempo devido sem o devido pagamento
Nossa perda da educação financeira possui vários agravantes — e, quem sabe, interesses envolvidos. O primeiro deles é a crescente e acelerada compulsão por compras, somada à manutenção familiar assumida por pais e avós.
O segundo, não menos importante, foi a retirada das salas de aula da disciplina de Contabilidade Básica. Matéria lecionada em Penedo nos tempos do Colégio Estadual Comendador José da Silva Peixoto por professores natos, contadores de carreira. Dentre eles, Laudo Contador, esposo da Professora Eernestina de Geografia, que ensinava, naquele tempo, o que era uma duplicata, uma nota promissória e o planejamento familiar baseado no famoso Balanço Financeiro — ativos e passivos.
O terceiro ponto refere-se à perda da credibilidade do homem de palavra. Aquele que honrava seus compromissos pelo valor da palavra dada, pela honra de andar pelas ruas sem passar pela vergonha de ser cobrado ou visto como velhaco. Esse fenômeno se banalizou.
E, por fim, o modus operandi da substituição da palavra empenhada pelo sistema financeiro: primeiro, a utilização do cheque, substituindo duplicatas e notas promissórias no mercado; depois, o cheque pré-datado — fenômeno nunca garantido pelos bancos, já que cheque sempre foi pagamento à vista, sendo essa prática criada informalmente entre devedores e credores.
Mais adiante, surgiu o famoso cheque especial, ainda usual para os chamados “bons clientes”, e, posteriormente, o cartão de débito, seguido pelo cartão de crédito — hoje a forma de pagamento mais utilizada.
Para os mais velhos, tudo isso é memória viva. Para os novos devedores compulsivos, isso não passa de balela, muitas vezes acompanhada de ameaças infundadas como forma de se proteger da vergonha alheia.