O quanto a indefinição de JHC indefine 2026 em Alagoas
26/01/2026, 08:08:05Sem JHC para o governo, Palácio de Vidro fica presa fácil para RF. Se sai para o senado, força a queda de Lira de volta para o futuro.
Em política, o silêncio raramente é neutro. Ele pesa, ecoa e cria vácuos. Em Alagoas, a indefinição do prefeito de Maceió, JHC, deixou de ser apenas uma estratégia pessoal para se tornar um fator de instabilidade no tabuleiro eleitoral de 2026. Quando uma liderança com capital político expressivo se mantém ambígua, não apenas adia decisões: ela embaralha alianças, congela projetos e confunde o eleitorado.
JHC ocupa hoje uma posição singular. Prefeito da capital, jovem, com trânsito em diferentes campos ideológicos e capacidade de diálogo tanto com o lulismo quanto com forças conservadoras, ele é visto como peça-chave em qualquer arranjo majoritário no estado. Exatamente por isso, sua indefinição não é detalhe — é motor de incertezas. Enquanto não diz a que veio, todos os demais passam a jogar na defensiva.
A base governista hesita. A oposição calcula. Partidos médios aguardam sinais para decidir se avançam ou recuam. Prefeitos do interior, dependentes de alianças estaduais e federais, ficam sem bússola. O resultado é um cenário de paralisia estratégica: ninguém quer se comprometer antes de saber para onde JHC apontará a seta.
Para o eleitor, o prejuízo é evidente. A indefinição prolongada alimenta desconfiança e cansaço. Afinal, quem pretende liderar precisa, antes de tudo, liderar pelo exemplo da clareza. O voto consciente nasce do confronto de ideias, não do jogo de sombras. Quando um ator central se recusa a explicitar seu rumo, empurra a sociedade para o terreno da especulação e do boato.
Em política, quem não define o rumo acaba sendo definido pelos acontecimentos. E a história costuma ser implacável com quem prefere assistir ao jogo em vez de entrar em campo.