Brasileiro condenado à prisão perpétua por assassinato na Irlanda
26/01/2026, 12:06:10Condenação de Miller Pacheco
O engenheiro Miller Pacheco, de 32 anos, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato da brasileira Bruna Fonseca, de 28 anos, que foi morta por estrangulamento dentro do apartamento dele, em Cork, na Irlanda. As informações são do The Irish Times.
O crime ocorreu no dia 01 de janeiro de 2023 e a sentença foi proferida na sexta-feira (23). Pacheco e Bruna mantiveram um relacionamento de cinco anos, que terminou em janeiro de 2022. Segundo o julgamento no Central Criminal Court, mesmo após o término do relacionamento, a vítima estava preocupada com o estado emocional do ex, que ameaçava tirar a própria vida e era encorajado a buscar tratamento psiquiátrico por Bruna. No dia do crime, ela chegou a retirar uma faca das mãos dele, temendo que ele se ferisse.
A gravação de Bruna
Durante a leitura da sentença, a juíza Siobhán Lankford destacou que Bruna havia gravado, menos de duas semanas antes de ser morta, uma conversa onde afirmava que sua vida não era um troféu. “Não há vencedores aqui. Não é uma disputa por um prêmio. Eu não sou um troféu. É a minha vida, ninguém tem direito a ela além de mim”, leu a magistrada, de acordo com o The Irish Times.
Depoimento da família
A irmã de Bruna, Izabel Fonseca, leu uma declaração da família no tribunal com a ajuda de uma intérprete de português. Ela relatou que receberam a notícia da morte às 04h45 do dia 1º de janeiro, enquanto comemoravam o Ano Novo no Brasil. “Enquanto celebrávamos o ano novo, perdemos o chão, as palavras, alegria. Ao atender o telefone, esperando votos de feliz ano novo, recebemos a notícia que a nossa caçula havia partido”, declarou Izabel.
Izabel enfatizou que Bruna não pode ser reduzida a um número. “A Bruna não é um número. Ela tinha sonhos, planos, risadas e uma vida inteira pela frente”, afirmou, lembrando que a irmã se mudou para a Irlanda com o objetivo de trabalhar e ajudar financeiramente a família no Brasil.
Relação e manipulação
A irmã também descreveu o relacionamento como um constante ciclo de manipulação e ressaltou que Bruna assumiu problemas que não eram dela. “Ela acreditava, acolhia, insistia e sustentava emocionalmente alguém que se recusava a enfrentar as próprias responsabilidades”, observou.
A carta da família ainda agradeceu à polícia irlandesa pelo comprometimento e profissionalismo demonstrados ao longo de todo o processo.
Defesa e reações
O advogado de defesa, Ray Boland SC, declarou que, apesar de Miller ter contestado o processo, ele aceita o veredicto do júri e não pretende recorrer. Ele pediu desculpas pelo ocorrido, conforme informado pelo The Irish Times. Do lado de fora do tribunal, a família de Bruna assegurou que o pedido de desculpas foi tardio e que nada pode trazer de volta a irmã, tia e prima. “Que a decisão represente o conhecimento do dano irreparável, causado à vida da Bruna e aos que ficaram. Justiça pela Bruna sempre. Ela não morreu. Ela está viva em nós”, finalizou a irmã.