A história da mulher esfaqueada pelo ex transforma vidas

A história da mulher esfaqueada pelo ex transforma vidas

A história impactante de Aline Guimarães

Aline Guimarães foi atacada com mais de 70 facadas. O crime aconteceu em 2019, em Taubaté, no interior de São Paulo. A vítima ficou internada na UTI.

Era uma manhã de domingo quando a vida da vendedora Aline Guimarães, de 44 anos, mudou repentinamente. Ela foi atacada pelo ex-namorado, que a golpeou com mais de 70 facadas. O caso aconteceu em julho de 2019 e deixou cicatrizes não só pelo corpo da mulher. Na época, a vendedora tinha 38 anos, e já não tinha mais um relacionamento com o autor do crime. Quase sete anos após a agressão, Aline conta que a história a transformou e que faz parte de um problema ainda maior.

"Não foi fácil, mas eu sempre quis refazer a minha vida, recomeçar e dar a volta por cima. Essa história me transformou. Hoje, digo às mulheres que é essencial se cuidar, passar um tempo sozinha, se conhecer e entender por que aceitaram viver esse abuso. Com o tempo, passamos a enxergar as coisas com clareza", conta.

Inspiração e alerta para outras mulheres

Hoje, a história de Aline serve de inspiração e alerta para outras mulheres. Em 2019, ano do crime, o Estado de São Paulo registrou 184 casos de feminicídio. Em 2025, de janeiro a novembro, foram registrados 233 casos em todo o estado. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública (SSP), que mostram um aumento de aproximadamente 27% nas ocorrências.

"Hoje enxergo tudo de uma maneira que, há algum tempo, eu não conseguia. Tudo começou em 2019. Atualmente, a mídia relata com muito mais frequência e a violência vai além do que podemos imaginar. Antes, eu acreditava que um homem 'bom' para a família, que paga seus impostos, trabalha e é considerado um cidadão exemplar na sociedade, não seria capaz de cometer uma violência desse tamanho. Hoje, o assunto é amplamente debatido, mostrando que o abuso ultrapassa classes sociais, idade e gêneros. Nem sempre um 'bom filho', ou alguém com uma imagem pública impecável, é um parceiro saudável em um relacionamento", explica.

Evitar a repetição de ciclos

A vendedora também alerta para evitar a repetição de ciclos, que pode ser comum com quem já sofreu com relacionamentos abusivos. Para Aline, com o passar do tempo, é importante entender tudo o que houve para evitar que os casos se repitam.

"Algo que observo muito, e que inclusive já aconteceu comigo, é que mulheres que sofrem relacionamentos abusivos precisam redobrar o cuidado, pois tendem a repetir esse ciclo. O abusador vem mascarado, disfarçado de acolhedor, como se tudo fizesse parte de um plano: ele encanta, faz todas as vontades da vítima e, na sequência, começa a praticar o mal", ressalta.

Detalhes do caso

O crime aconteceu em julho de 2019, em Taubaté (SP). Na época, o ex-namorado de Aline invadiu a casa dela e a golpeou com mais de 70 facadas. Ela já não tinha um relacionamento com o homem quando o crime aconteceu e tinha uma medida protetiva contra ele. A Polícia Militar foi acionada pelos vizinhos de Aline, que escutaram os gritos de socorro da mulher. O agressor levou uma faca e pegou outras duas no local. Uma das facas chegou a quebrar. O caso foi registrado como feminicídio tentado. O autor do crime foi preso e cumpre pena na Penitenciária II (P2) de Tremembé. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), o homem progrediu para regime semiaberto desde janeiro de 2024.

A vendedora foi socorrida em estado grave e foi encaminhada ao Pronto-Socorro do Hospital Regional, onde permaneceu internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Violência contra a mulher em números

Em 2025, segundo a SSP-SP de janeiro a novembro, foram registrados 233 casos em todo o estado de São Paulo. Além disso, no mesmo período, foram registrados 13.355 casos de estupro em São Paulo. O Governo conta com ações de acolhimento e rede de proteção às vítimas de violência contra a mulher, como o programa Cabine Lilás.