Lula se fortalece politicamente com avanços e riscos eleitorais

Lula se fortalece politicamente com avanços e riscos eleitorais

Lula e a expectativa para 2025

O presidente Lula (PT) entra no ano eleitoral alavancado politicamente por pautas nacionais e internacionais que fortaleceram uma imagem de defesa da soberania do Brasil, associado ao avanço em agenda cara para seu eleitorado. A situação é diferente do início de 2025, quando o governo federal buscava aplacar uma sequência de crises na imagem pública, sendo as principais a divulgação de notícias falsas em torno do Pix.

Crises e desafios à vista

O novo ano começa, porém, com o risco de temas espinhosos voltarem à cena com a crise da Venezuela e investigações que miram um dos filhos do presidente. Além disso, há indefinição na montagem de palanques em colégios eleitorais importantes, como Minas Gerais.

Investigação sobre Lulinha

Em dezembro, apuração da Polícia Federal mostrou que uma empresária amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, recebeu R$ 300 mil por ordem do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes. A oposição tenta atrelar o caso a um dos principais escândalos enfrentados pelo atual governo, os desvios em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

Postura de defesa de Lula

Em resposta, Lula adotou a postura de defender as investigações, afirmando que, se o filho estiver "metido nisso", deverá ser investigado. A sequência de embates com os Estados Unidos, iniciada com o tarifaço e a imposição das sanções da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu a Lula a oportunidade de recuperar para si a pauta da soberania nacional, antes dominada pela direita brasileira.

A relação com os EUA

A relação entre Brasil e Estados Unidos passou por transformações com o retorno de Lula ao poder, especialmente depois que Trump elogiou o presidente brasileiro, mesmo em meio a ataques à Venezuela. Embora o governo Lula não tenha reconhecido a eleição de Nicolás Maduro em 2024, a proximidade entre os dois ao longo dos anos é explorada pela oposição para criticar o petista.

Estratégias para as eleições

Segundo integrantes e auxiliares do Palácio do Planalto, a intenção do governo é evitar que o tema e a conjuntura internacional dominem os debates nas eleições. A campanha do petista deve intensificar menções às conquistas do governo ao longo deste terceiro mandato, como as pautas aprovadas no Congresso e os resultados econômicos.

"O último ano foi muito positivo para o governo do presidente Lula pelos bons resultados na economia, com recorde na redução do desemprego e inflação sob controle", cita a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT).

Desafios internos

Com o discurso de apoio ao povo e condenando privilégios, Lula entra em um embate contra uma pauta cara ao Congresso, em especial ao centrão: as emendas parlamentares. O tema se tornou um dos principais pontos de atrito entre Congresso e STF desde que o ministro Flávio Dino determinou uma série de bloqueios e limitações aos repasses.

Alianças políticas

As alianças com nomes do centrão são relevantes para o palanque de Lula na busca pela reeleição. O presidente ainda busca alianças com candidatos competitivos em redutos eleitorais importantes, como Minas Gerais e São Paulo. Em Minas, ele articula com Tadeu Leite (MDB) e Alexandre Kalil (PDT), como alternativa ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Como estratégia para emplacar candidatos aliados pelo país, a orientação dada por Lula a seus ministros é que se afastem do governo a partir de abril para disputar cargos públicos em seus estados.