Anvisa recolhe 36 produtos em três dias de 2026

Anvisa recolhe 36 produtos em três dias de 2026

Anvisa recolhe 36 produtos em três dias de 2026


Entre os itens recolhidos estão medicamentos, alimentos e cosméticos; a Agência também mirou em anabolizantes e produtos de limpeza.


Entre os dias 5 e 8 de janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comunicou o recolhimento de ao menos 36 produtos considerados irregulares ou com potencial risco à saúde. Os principais itens recolhidos são medicamentos, alimentos e cosméticos. As decisões constam no Diário Oficial da União.


O Portal iG preparou uma lista com todos os produtos que foram recolhidos e/ou proibidos pela Anvisa até agora em 2026. Confira!


Alimentos

Chá de Camomila Lavi Tea

A medida foi publicada no dia 5 de janeiro, após a empresa Água da Serra Industrial de Bebidas S.A. informar o recolhimento voluntário do lote 6802956, devido à presença de talos, ramos e sementes que não são comuns no chá. Além disso, testes posteriores detectaram 14 larvas inteiras e 224 fragmentos de insetos em 25 g do produto, sendo que o limite aceitável é de 90 fragmentos em 25 g de produto.


Panetones com fungos

No dia 6 de janeiro, a Anvisa determinou a proibição da comercialização, da distribuição e do consumo de quatro lotes de panetones da empresa D’Viez Indústria e Comércio de Chocolates Finos Ltda. Além disso, os produtos devem ser recolhidos. A medida foi motivada pela presença de fungos nos seguintes lotes: Mini Panetone com Gotas de Chocolate Trufado Tradicional 140g (lote: 251027); Panetone Nossa Língua Trufado com Bombons "Formato de Língua de Gato" - 700g (lote: 251027); Panetone com Gotas de Chocolate Trufado Tradicional - 700g (lote: 251027); Panetone com Frutas Trufado Tradicional - 700g (lote: 251027).


Alimentos com cogumelos

Ainda no dia 6 de janeiro, uma série de produtos da marca Coguvita Ltda. tiveram sua comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e consumo proibidos devido ao uso de cogumelos Lion’s Mane e Cordyceps, ingredientes não permitidos porque ainda não foram testados. Os itens proibidos foram: Pasta de Cacau e Avelã com Cogumelos da marca Smush Smushnuts; Pasta de Amendoim com Cogumelos da marca Smush Smushnuts; Barra de Frutas, Amendoim, Clara de Ovo e Cogumelos da marca Smushn Go; Granola da marca Smush Smushnola; Granola Coco; Mix de Castanhas, Sementes e Cogumelos da marca Smush Smushnola; Granola Keto; Cápsula de Café da marca Smush Mushroom Espresso; Cápsula de Café da marca Smush Energy Mushroom Espresso. Todos os lotes dos produtos citados foram afetados pela ação.


Fórmulas infantis com risco de contaminação

No dia 7 de janeiro, a Anvisa determinou a proibição da comercialização, da distribuição e do uso de alguns lotes de fórmulas infantis da Nestlé. A motivação é o risco de contaminação pela bactéria cereulide. Os produtos afetados pela decisão foram: Nestógeno 0–6 meses (800 g) - Lotes: 5341046041, 5342046041, 5343046041, 5344046041; NAN Supreme Pro 0–6 meses (400 g) - lotes 5321046041, 5321046043800 g - lotes 5319046041, 5320046041, 5321046041; NAN Supreme Pro 6–12 meses (800 g) - Lotes: 5324046041, 5325046041, 5326046041; NANLAC Supreme Pro 1–3 anos (800 g) - Lotes: 5301046041, 5302046041, 5338046041, 5339046041, 5340046041; NANLAC Comfor 1–3 anos (1,6 kg) - lotes: 53360460V4, 53370460V1, 53380460V1, 53390460V1, 53390460V2, 53430460V2; 800 g - lotes: 5327046041, 5327046043, 5328046041, 5336046041, 5337046041, 5338046041; NAN Science Pro Sensitive (800 g) - Lote: 5323046041; Alfamino (400 g) - Lotes: 51060017Y1, 51540017Y1, 52720017Y2.


Molho de tomate com cacos de vidro

A Anvisa determinou o recolhimento do lote LM283 do molho de tomate Passata de Pomodoro Di Puglia, da marca Mastromauro Granoro. A motivação foi a presença de cacos de vidro no produto alimentício importado para o Brasil.


Suplemento Neovite Visão

Devido a presença de Capsicum annuum L. (fruto da páprica), ingrediente não autorizado em suplementos alimentares como fonte de zeaxantina, a Anvisa proibiu o suplemento alimentar Neovite Visão, da empresa BL Indústria Ótica Ltda. (Bausch Lomb). A ação fiscal atinge apenas os lotes 25G073, S25C004, S25C003, S25C002 e S25G07, que não podem ser comercializados, distribuídos, fabricados, importados, divulgados ou consumidos.


Vitamina C e suplemento para colesterol

Os suplementos de Vitamina C Sucupira com Unha de Gato Ervas Brasil e o Suplemento Alimentar Colesterol Ervas Brasil, da empresa Ervas Brasil Indústria Ltda., não podem mais ser comercializados, por determinação da Anvisa. Segundo o órgão, a empresa não tem Licença Sanitária e nem Alvará de Funcionamento, utilizou ingredientes não autorizados em alimentos e faz divulgação irregular dos produtos, com falsas indicações terapêuticas.


Medicamentos

Pomada cicatrizante

No dia 5 de janeiro, a Anvisa determinou a proibição da comercialização, fabricação, importação, divulgação e uso da Pomada Cicatrizante Inkdraw Aftercare. O produto indicado para uso pós tatuagem tem origem desconhecida, portanto, o motivo de seu banimento é falta de registro ou notificação da pomada na Anvisa.


Medicamentos com embalagens trocadas

Dois medicamentos que tiveram suas embalagens trocadas foram recolhidos pela Anvisa. O lote OA3169 do medicamento Pantoprazol Sódico Sesqui-Hidratado - 40mg, produzido pela MedQuímica Indústria Farmacêutica Ltda., teve a caixa trocada pela embalagem de outro medicamento, a Hidroclorotiazida 25mg. Já o lote 569889 do antialérgico Alektos 20mg, Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A., foi recolhido voluntariamente pela empresa. O motivo foi a constatação de que a embalagem do Alektos 20 mg havia sido trocada pela do medicamento Nesina. Devido a essas irregularidades, os lotes referidos foram recolhidos e tiveram a comercialização, a distribuição e o uso suspensos. Ambas as decisões foram divulgadas na quarta-feira (7).


Apreensão de Lotes falsos

Lotes falsificados dos medicamentos Imbruvica, Mounjaro e Voranigo também foram alvo de ação fiscal da Anvisa, que determinou a apreensão e proibição. Imbruvica (lotes NIS7G01, NJS7J00 e PJS0B00): a medida foi tomada porque a Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda., verdadeira fabricante do medicamento, informou que não produziu os lotes e que o registro do Imbruvica em formato de cápsulas foi cancelado. Mounjaro (lote D838878): por meio de comunicado, a empresa Eli Lilly do Brasil Ltda., que possui o registro do medicamento, informou que não produziu o lote sinalizado. Por esta razão, a Anvisa definiu que esse lote deve ser apreendido e não pode ser comercializado, distribuído ou usado. Voranigo (lote FM13L62): a empresa Laboratórios Servier do Brasil, que produz o medicamento, desconhece a origem do lote. Assim, a Agência determinou a proibição de seu armazenamento, comercialização, fabricação, importação, divulgação e uso. As decisões foram divulgadas nesta quarta-feira (7) e atingem apenas os referidos lotes.


Insumos farmacêuticos proibidos

No dia 7 de janeiro, uma fiscalização da Anvisa proibiu insumos farmacêuticos da Formus Magistral Comércio de Insumos Farmacêuticos Ltda. A proibição ocorreu porque a empresa importou, de maneira irregular, o anabolizante estanozolol e o hormônio prasterona. Sendo assim, está proibido o armazenamento, a comercialização, a distribuição, a importação, a manipulação e o uso desses insumos. A ação fiscal também atingiu a Drogaria Farma Vida de Janaúba Ltda. A comercialização e a divulgação dos produtos da empresa estão suspensas. O motivo é o fato de que a empresa está anunciando e comercializando medicamentos manipulados de forma on-line, sem prescrição médica.


Cosméticos

Alisantes sem registro

Na quarta-feira (7), a Anvisa determinou o recolhimento dos alisantes Mask Botox Organic Biotherapy 1kg Oxillis e Premium Caviar Protein - Brazillis, da empresa Cosmonew Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda. A decisão foi motivada pela falta de registro dos produtos, que foram apenas notificados à Agência. Com isso, os itens estão proibidos de ser comercializados, distribuídos, fabricados e usados. O alisante BTX Hair Treatment Renova Lizz, da marca Kerastinni, também teve a sua comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso proibidos devido à falta de registro. Já na quinta-feira (8), a Agência ordenou o recolhimento do alisante My Horizon Brazilian Protein Robson Peluquero, da empresa EMCS Indústria Ltda. O produto deveria ter sido registrado mas foi apenas notificado à Anvisa. Sua comercialização, distribuição, fabricação, divulgação e uso estão suspensos.


Produtos de limpeza

Saneantes irregulares

Os saneantes da marca Pureessence, fabricados pela empresa Pure Essence Fragrance Indústria e Comércio de Essências, assim como o Odorizador de Ambientes Uau Aromas, da empresa Uau Aromas, não podem mais ser comercializados, distribuídos, fabricados, divulgados e usados. A decisão foi publicada pela Anvisa nesta terça-feira (6) e foi motivada pela falta de registro como saneantes na Agência.


Veja o que as empresas falaram

Nossa reportagem entrou em contato com as empresas fabricantes de produtos atingidos pelas ações da Anvisa no período de 5 a 8 de janeiro de 2026. Em nota, a empresa Água da Serra informou que realizou voluntariamente, em outubro de 2025, o recolhimento do lote referido do Chá de Camomila Lavi Tea, após apontamentos técnicos identificados em análises feitas em laboratório. Segundo a empresa, o recolhimento ocorreu de forma preventiva, restringindo-se a um único lote, sem reflexos sobre os demais produtos da marca. A empresa ainda esclareceu que o caso está sendo apurado junto ao fabricante terceirizado. Procurada por nossa reportagem, a Bausch+Lomb informou que iniciou o recolhimento preventivo e voluntário do produto Neovite Visão após identificar uma divergência exclusivamente regulatória identificada no processo de notificação do produto junto às autoridades competentes. O recolhimento não se estende aos demais produtos NeoVite. A empresa destacou que a ação segue integralmente os procedimentos estabelecidos pela Resolução RDC no 655/2022 e está sendo conduzida conforme as diretrizes estabelecidas pela ANVISA. O Portal iG tentou entrar em contato com as demais empresas citadas em nossa reportagem, porém, não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.