Quem zombou da Covid-19 hoje implora por prisão domiciliar

É no miinímo estranho vermos a mudança radical de quem escurrachava com os Diretors Humanos, com a gripizinha da Covid, quebrar tornozeleira eletrônica, e que prisão foi feita para bandido não sair, clamar por risão dimiciliar

Quem zombou da Covid-19 hoje implora por prisão domiciliar

Houve um tempo recente em que a Covid-19 foi tratada por alguns como farsa, exagero ou invenção conveniente. Zombou-se da dor alheia, riu-se dos mortos, desdenhou-se da ciência e atacaram-se médicos, jornalistas e qualquer um que ousasse alertar sobre a gravidade do que se espalhava pelo mundo. Para esses, a pandemia não passava de um detalhe incômodo no caminho do poder, da vaidade ou da ideologia.

O discurso era sempre o mesmo: “é só uma gripezinha”, “não vai dar em nada”, “o medo mata mais que o vírus”. Enquanto isso, hospitais lotavam, famílias se despedaçavam e covas se multiplicavam em silêncio. A zombaria virou método, e a irresponsabilidade, bandeira.

Hoje, o cenário mudou. Muitos dos que tripudiaram sobre a tragédia humana agora recorrem ao mesmo argumento que desprezaram: a fragilidade do corpo, a necessidade de cuidado, o risco à saúde. Aqueles que ironizavam o isolamento social e atacavam quem defendia medidas sanitárias, agora imploram por prisão domiciliar, alegando idade, comorbidades e perigo iminente.

A contradição não é apenas moral; é histórica. Não se trata de negar direitos legais a ninguém, mas de expor a hipocrisia de quem construiu capital político sobre o desprezo à vida e, quando a realidade bateu à porta, passou a exigir empatia, humanidade e compreensão. Exatamente aquilo que foi negado a milhões.

A pandemia revelou muito mais que um vírus: escancarou caráter. Mostrou quem foi capaz de se solidarizar e quem preferiu zombar. Mostrou quem liderou com responsabilidade e quem apostou no caos. E agora, quando o peso das consequências chega, a máscara — não a sanitária, mas a moral — cai por completo.

A história não esquece. Pode até tardar, mas registra. E registrará que, enquanto muitos choravam seus mortos em solidão, houve quem risse. E que, mais tarde, esses mesmos risos se transformaram em súplicas por conforto, proteção e clemência.

Creditos: Professor Raul Rodrigues