Como diferentes culturas celebram o Ano Novo pelo mundo
01/01/2026, 09:05:30A celebração do Ano Novo pelo mundo
A chegada do Ano Novo reúne rituais e celebrações que atravessam culturas e países. Falar sobre Ano Novo é falar sobre tempo, expectativa e renovação. Embora o calendário gregoriano tenha se consolidado como padrão global, a forma como a virada do ano é celebrada muda bastante de país para país. Ainda assim, cada ritual carrega significados profundos, ligados à história, à religião e aos costumes locais. Olhando para essas celebrações, é possível entender não só como cada cultura enxerga o futuro, mas também como se relaciona com o passado e com o coletivo. Além disso, comparar essas tradições ajuda a tirar a ideia de que o Ano Novo se resume a fogos e festas. Em muitos lugares, o momento é mais simbólico do que festivo, mais reflexivo do que barulhento.
Japão: silêncio, tradição e espiritualidade
A limpeza das casas antes da virada simboliza a preparação para receber o novo ano. No Japão, o Ano Novo, conhecido como Shōgatsu, é uma das datas mais importantes do calendário. Diferente do que acontece no Brasil, a virada costuma ser vivida em família e com menos foco em festas públicas. Ainda assim, há rituais bem definidos que atravessam gerações. Antes da meia-noite, é comum realizar a limpeza da casa, chamada de ōsōji, que simboliza deixar para trás os problemas do ano que termina. Em seguida, templos budistas tocam seus sinos 108 vezes, representando os desejos e falhas humanas. Dessa forma, a tradição reforça a ideia de recomeço a partir do equilíbrio.
China: o ano novo guiado pelo calendário lunar
Os envelopes vermelhos são trocados como desejo de prosperidade e boa sorte no ano que começa. Enquanto isso, na China, o réveillon não acontece no dia 31 de dezembro. Pelo contrário, ele segue o calendário lunar e costuma cair entre janeiro e fevereiro. Ainda assim, se trata da principal celebração do país, conhecida como Festival da Primavera. Durante esse período, milhões de pessoas viajam para se reunir com a família. As casas são decoradas com vermelho, cor associada à sorte e à proteção. Outro ponto importante é a troca de envelopes com dinheiro, os hongbao, especialmente entre adultos e crianças, reforçando votos de prosperidade.
Escócia: fogo, música e continuidade
O Hogmanay mistura música, fogo e rituais antigos para celebrar a chegada do novo ano. Por outro lado, na Escócia, o Ano Novo, chamado de Hogmanay, tem características bem próprias. Mais do que o Natal, é a virada do ano que concentra as grandes celebrações. Assim, cidades como Edimburgo organizam eventos que misturam música, procissões e rituais antigos. Um costume tradicional é o first-footing, que consiste na primeira pessoa a entrar em uma casa após a meia-noite. Acredita-se que isso influencia a sorte do lar ao longo do ano. Geralmente, essa pessoa leva presentes simbólicos, como pão ou carvão, representando fartura e calor.
Brasil: mistura de crenças e celebração coletiva
O réveillon combina festa, crença e rituais à beira-mar em várias cidades do país. No Brasil, essa data reflete bem a diversidade cultural do país. Embora a festa tenha forte influência ocidental, elementos de religiões de matriz africana também estão presentes, especialmente nas grandes cidades litorâneas. É comum vestir branco como símbolo de paz e fazer pedidos à beira-mar. Muitas pessoas pulam ondas ou oferecem flores, principalmente para Iemanjá. Dessa forma, fé, superstição e festa convivem no mesmo espaço, sem grandes conflitos.
África do Sul: dança, rua e comunidade
Celebrações públicas e eventos de rua marcam a virada em grandes centros urbanos. Já na África do Sul, o réveillon é marcado por eventos públicos e celebrações ao ar livre. Em cidades como Joanesburgo, shows e encontros comunitários ganham destaque, refletindo a importância do espaço coletivo. Além da festa, o período também é visto como um momento de afirmação cultural e social. Assim, música, dança e encontros reforçam laços comunitários e a ideia de seguir em frente como grupo.