Gaza vive crise humanitária sob falso alto o fogo
15/01/2026, 05:04:07Uma realidade difícil em Gaza
Mais de 4.000 pessoas em Gaza estão praticamente sem teto devido às fortes tempestades, enquanto a reconstrução avança lentamente e os bombardeios israelenses continuam diariamente. Crianças e suas famílias seguem expostas às intempéries, como é o caso de Rayan al Jeir, que vive em um acampamento improvisado na Cidade de Gaza. "As fortes chuvas e os ventos destroem nossas barracas", desabafa ele por mensagens. Com a tempestade Byron, ele e outras 55.000 famílias estão em busca de novos locais para se abrigar, mas muitas regiões estão alagadas.A população de Gaza, que conta com cerca de 900.000 pessoas vivendo em condições precárias após a destruição de mais de 80% das edificações por conta do conflito, enfrenta um inverno implacável. Os hospitais relatam casos trágicos, como o de Jalil Abu al Jair, que faleceu com apenas duas semanas de vida devido ao frio intenso em uma barraca. "Seu corpo estava gelado", conta a mãe do menino, Eman, em uma entrevista. O desespero é palpável, pois a falta de transporte e as difíceis condições de acesso aos hospitais fazem que o socorro chegue tarde demais para muitos.
Os relatos de vidas interrompidas em Gaza não param. Apesar do que o governo do ex-presidente dos EUA Donald Trump chamou de "paz em Oriente Médio", a situação no território é agonizante. Com a promessa de um alto o fogo, os bombardeios israelenses se tornaram menos frequentes, mas a morte continua a marcar o dia a dia de muitos palestinos. "Alto o fogo? Que alto o fogo?! Isso é apenas uma morte mais lenta", dizem muitos. A população se vê confinada em 42% do território controlado pelo Hamas, com o restante sob domínio israelense, transformado em um ambiente hostil e desolado.
As sanções e restrições ainda dificultam a chegada de ajuda, com famílias se arriscando em busca de recursos. Histórias lamentáveis, como a de Fadi e Yumaa, irmãos que foram mortos ao serem alvejados por soldados israelenses enquanto tentavam coletar lenha, exemplificam a brutalidade da situação. O plano de reconstrução proposto por Trump implica em mais complicações, com o envolvimento de instituições internacionais ainda indefinidas. Enquanto isso, a população continua vivendo em um limbo, sem saber o que o futuro reserva.
A Organização das Nações Unidas (ONU) reporta que 300.000 tendas e abrigos são necessários para os deslocados em Gaza, mas a burocracia e os bloqueios políticos ainda dificultam a entrada desses suprimentos essenciais. Com a contagem de mortos aumentando, a ONU indica que a invasão israelense já superou os 70.000 óbitos. Essas estatísticas são perturbadoras, dado que, mesmo diante de um cessar-fogo, os disparos e bombardeios ocorrem quase diariamente. A perspectiva de uma nova fase de negociações não traz alívio, mas sim mais incertezas e desespero.
As condições alimentares continuam críticas, com 77% da população vivendo em insegurança alimentar aguda. Embora o fluxo de alimentos tenha melhorado, a situação ainda é alarmante, com muitos cidadãos sem condições de adquirir produtos básicos. Enquanto alguns poucos benefícios aparecem na vida cotidiana, como a abertura de uma nova cafeteria, a maioria da população ainda enfrenta dificuldades imensas para alimentar as suas famílias. A desigualdade se acentua, e a esperança de dias melhores permanece distante no horizonte.
A tragédia contínua em Gaza evidencia não apenas a urgência de uma solução pacífica, mas também a necessidade de assistência e solidariedade internacional para com um povo que, em meio a um limbo de expectativas, busca apenas um recomeço.