Aliados de Bolsonaro e Lula capitalizam elogios e avanços
27/10/2025, 09:30:52Contexto do Encontro
Aliados de Jair Bolsonaro (PL) buscaram destacar o elogio de Donald Trump ao ex-presidente, enquanto os de Lula (PT) foram às redes sociais para elogiar o avanço nas conversas entre Brasil e EUA e destacar a defesa da soberania – que se tornou uma das principais bandeiras do petismo neste ano.
Mobilização Política
A disputa de versões mobilizou os dois grupos políticos neste domingo (26) depois da reunião de Lula com Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, para discutir as tarifas impostas pelo americano. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) recorreu às imagens do encontro para apontar um suposto incômodo do presidente brasileiro com o elogio de Trump ao ex-presidente. Eduardo está nos Estados Unidos articulando sanções contra as autoridades brasileiras e virou alvo da esquerda e de parte da direita, crítica à sua atuação referente ao tarifaço a produtos brasileiros. As sanções comerciais foram um ponto de inflexão na atuação dos bolsonaristas neste ano e se tornaram a principal vulnerabilidade política do grupo.
Declarações de Trump
Trump foi questionado por jornalistas sobre Bolsonaro e disse que se sente mal pelo que aconteceu com ele, afirmando que sempre gostou do ex-chefe do Executivo brasileiro. Em seguida, indagado se essa situação seria tratada na reunião com Lula, o republicano respondeu: "Não é da sua conta".
Reações nas Redes Sociais
Em postagem em seu perfil no X (ex-Twitter), Eduardo afirmou que há "na mesa um assunto que claramente incomoda o ex-presidiário: BOLSONARO". O texto acompanha um vídeo no qual os dois presidentes respondem a perguntas da imprensa na manhã deste domingo.
Na sequência das publicações de Eduardo, influenciadores bolsonaristas foram às redes sociais dizer que o governo brasileiro ainda não anunciou avanço nas negociações pelo fim do tarifaço. O principal destaque que buscaram dar foi ao elogio de Trump a Bolsonaro. O vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), replicou uma publicação que questiona a fala do chanceler Mauro Vieira sobre a reunião ter sido "muito positiva", mas que só agora vai começar a negociação.
Comentários de Parlamentares
Já o deputado estadual de Minas Gerais, Bruno Engler (PL), disse: "Lula, visivelmente desconfortável, ouve o apoio ao capitão feito pelo norte-americano que sempre compara à caça às bruxas. Isso incomoda o petista, que defende o regime junto ao STF".
Além da esquerda, até mesmo uma ala da direita utilizou o episódio para dizer que a atuação de Eduardo estaria beneficiando Lula. Como a Folha mostrou no último dia 19, aliados do ex-presidente já admitiam ver o petista lucrando positivamente com o avanço das negociações. A expectativa deles é de que ao menos parte das tarifas deve ser revista.
Reações de Antigos Apoiadores
O ex-ministro da Educação de Bolsonaro, Abraham Weintraub, que rompeu com o clã, debochou: "Estratégia 4D do Trump para pegar o Lula desprevenido. Confie no bananinha! Aguarde mais 72 horas!".
O movimento de ataques ao deputado federal foi antecipado por seus aliados, que na noite de sábado (25) fizeram publicações nas redes sociais em sua defesa. "Eduardo é um guerreiro silencioso, que trabalha nos bastidores com lealdade e coragem. Sua missão nunca foi apenas um mandato, mas a defesa de um ideal. Diferentemente de muitos que hoje trabalham para desmerecer o grande trabalho que ele fez, e continua fazendo por todos nós", afirmou o deputado federal Mário Frias (PL-RJ).
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), classificou o encontro de Lula e Trump como "sensacional, pois fica provado que o tarifaço nunca foi culpa do Eduardo Bolsonaro e sim do Lula". O parlamentar disse ainda torcer para que o governo brasileiro consiga renegociar as tarifas.
Reconhecimento do Diálogo
Parlamentares de esquerda e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), celebraram o encontro entre os dois chefes de Estado. "Cumprimento os presidentes Lula e Donald Trump pelo importante encontro de hoje. Fico feliz em ver que o diálogo e a diplomacia voltam a ocupar o centro das relações entre Brasil e Estados Unidos. Quando líderes escolhem conversar, a história agradece", disse.
A reunião entre os dois chefes de Estado foi usada como munição para a esquerda destacar o papel de Lula na negociação das sobretaxas impostas pelo governo dos EUA a produtos do Brasil. O senador Humberto Costa (PT-PE) destacou que a conversa teve "avanços imediatos na agenda comercial e na busca de soluções para as tarifas e sanções". "Assim se faz política externa – com respeito, soberania e determinação!", ressaltou em seu perfil no X.
Conclusão
O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) disse que Lula se comportou como um estadista diante das tarifas impostas por Trump, indicando que o presidente está "recuperando as boas relações comerciais entre os dois países". O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) escreveu nas redes que a reunião entre os dois foi produtiva e "resultou no restabelecimento do diálogo e da parceria entre Brasil e Estados Unidos, superando divergências anteriores orquestradas pelos traidores da pátria". Já o ex-ministro da Justiça, Tarso Genro (PT) ironizou Eduardo e o ex-comentarista da Jovem Pan, Paulo Figueiredo, afirmando que ambos ficarão sem passaporte após o encontro entre os dois líderes.
Eduardo Bolsonaro sugere que Jair Bolsonaro foi tema no encontro entre Lula e Trump. Eduardo publicou nas redes sociais um vídeo em que Donald Trump comenta a situação do ex-presidente brasileiro antes de se reunir com Luiz Inácio Lula da Silva. O republicano afirmou gostar de Bolsonaro e disse sentir-se mal com o que vem acontecendo com ele no Brasil.