Barroso vota pela descriminalização do aborto antes de se aposentar

Barroso vota pela descriminalização do aborto antes de se aposentar

Voto de Barroso pela descriminalização do aborto

Na véspera de sua aposentadoria compulsória, o ministro Luís Roberto Barroso votou pela descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Barroso acompanhou o voto da ministra aposentada Rosa Weber. Com isso, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, proposta pelo PSOL em 2017, agora tem 2 votos favoráveis à descriminalização.

No voto, o ministro, cuja aposentadoria começa neste sábado (18), disse que a "interrupção da gestação deve ser tratada como uma questão de saúde pública, não de direito penal". Barroso ainda argumentou que a "criminalização penaliza, sobretudo, as meninas e mulheres pobres, que não podem recorrer ao sistema público de saúde para obter informações, medicação ou procedimentos adequados."

Convocação de sessão extraordinária

Mais cedo, o ministro solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a convocação de uma sessão virtual extraordinária para votar ações que tratam da descriminalização do aborto. A principal ação é a ADPF 442, que pede a descriminalização do aborto voluntário até a 12ª semana de gestação. O processo, sob relatoria de Barroso desde a aposentadoria da ministra Rosa Weber, em 2023, está suspenso desde que o próprio ministro solicitou destaque, interrompendo o julgamento virtual e transferindo-o para o plenário presencial.

Em despacho enviado à Presidência do STF, Barroso havia argumentado que a convocação da sessão se justifica pela “excepcional urgência” decorrente de sua saída da Corte, marcada para este sábado (18). A votação já conta com o voto favorável de Rosa Weber, proferido antes de sua aposentadoria. No ano passado, o tribunal rejeitou pedido da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para anular o posicionamento da ex-ministra, mantendo-o no processo.

Outras ações no STF

Além da ADPF 442, Barroso é relator de outras duas ações relacionadas ao tema. A ADPF 1207 questiona a limitação da realização de abortos legais apenas a médicos, pedindo a ampliação da permissão a outros profissionais de saúde, como enfermeiros. Já a ADPF 989 busca garantir que o Estado assegure acesso efetivo aos serviços de aborto previstos em lei, combatendo barreiras impostas por instituições públicas e casos de recusa de atendimento.

Contexto da decisão de Barroso

A decisão de Barroso ocorre em um contexto de debate legislativo sobre o tema. Dois dias antes de seu despacho, na última quarta-feira (15), a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou um projeto que restringe a realização do aborto a até 22 semanas, mesmo em casos de estupro, exceto quando há risco de morte para a gestante. Entidades de defesa dos direitos reprodutivos enviaram carta ao ministro solicitando que o julgamento fosse retomado antes de sua aposentadoria. O documento cita a Pesquisa Nacional de Aborto, de 2021, segundo a qual uma em cada sete mulheres brasileiras já realizou o procedimento.

Saída de Barroso do STF

Barroso deixa o Supremo após 12 anos de atuação. Sua aposentadoria abre a terceira vaga a ser preenchida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a saída, o comando do tribunal passa ao ministro Edson Fachin, que decidirá se a votação das ações será mantida no plenário virtual ou convertida em sessão presencial.