Senadores derrubam PEC da Bandidagem em votação unânime
24/09/2025, 17:31:22Proposta foi rejeitada por unanimidade na CCJ do Senado
Que ninguém se engane. Se pudessem, os senadores que acabaram de derrubar a PEC da Bandidagem na Comissão de Constituição e Justiça na Casa votariam em peso em defesa do projeto que blinda parlamentares de investigações e operações policiais.
Relembre: Relator avisou que PEC da Blindagem não passaria no Senado.
Problemas com a Justiça e a polícia não são monopólio da Câmara dos deputados, onde a PEC foi gestada. Farra com emendas, também.
Mas a pressão feita pela população há uma semana, com direito a showmício de Chico, Caetano, Gil e grande elenco no domingo (21), deixou evidente o vespeiro na mão dos senadores. Eles não são mais puros que os colegas da vizinhança. Só estão mais expostos.
Em 2026, um terço do Senado estará em disputa. A eleição para senador, como se sabe, é majoritária. Vence quem tem o maior número absoluto de votos em seus estados e fim. A campanha se assemelha à de candidatos a governadores, com quem costumam cumprir agendas juntos. E seria difícil explicar para a população que alguém capaz de defender um projeto como aquele merecia uma das duas vagas em disputa.
Na Câmara, o vai-que-cola era um cálculo estratégico. O número de vagas em disputa é maior. E os deputados são eleitos pelo sistema proporcional: a divisão de cadeiras acontece conforme o desempenho de cada partido. Numa campanha mais pulverizada, a chance de obter um novo mandato, desde que em um partido capaz de eleger uma grande bancada, é ainda considerável, mesmo com o desprezo escancarado pelo eleitor.
Relator da proposta, o senador Alessandro Vieira (MDB), um ex-policial eleito com uma bandeira de combate à corrupção, sabia da encrenca nas mãos e desancou o projeto dos deputados. Fez bem em dizer que a PEC seria uma porta de entrada para bandidos na política (os que ainda não têm mandato). Afinal, não teria lugar melhor para fugir da polícia do que um gabinete parlamentar. Ou o comando de um partido político, por menor que fosse, já que presidentes das legendas também precisariam do endosso parlamentar para serem investigados.
Os senadores perceberam a tempo o erro e deixaram o constrangimento todo com a Câmara, onde centrão e bolsonaristas bancaram o projeto em troca da anistia. Deu bem errado. Melhor para o Brasil.*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG