Hugo Motta o presidente ventríloquo

Depois de PECs da encrenca, presidente da Câmara Federal fala como Hugo Motta deveria presidir

Hugo Motta o presidente ventríloquo

Na dança dos bastidores de Brasília, surge uma figura curiosa: o deputado Hugo Motta, presidente do Republicanos. Jovem, articulado, com ares de quem comanda, mas na prática visto como um ventríloquo de interesses maiores. Sua cadeira de presidente partidário, aparentemente robusta, esconde os fios invisíveis que o conectam a quem de fato dita as ordens.

O apelido de “presidente ventríloquo” não veio à toa. Motta move os lábios, mas a voz que ecoa costuma ser de outros – ora de Arthur Lira, ora das conveniências do Palácio, ora de lideranças empresariais que enxergam no Republicanos um canal de negócios e poder. O partido, que deveria ter vida própria, funciona mais como caixa de ressonância, sempre ajustando o tom ao humor da conjuntura.

Essa condição, porém, não o diminui aos olhos de quem se beneficia. Pelo contrário: o ventríloquo tem utilidade. É ele quem assina, é ele quem vai à imprensa, é ele quem segura o microfone. Mas as cordas que movem seus gestos não lhe pertencem. O poder real permanece escondido, atrás da cortina, como em um teatro mal iluminado.

O risco para Motta é que o espetáculo do ventriloquismo político tem prazo de validade. O público percebe, mais cedo ou mais tarde, que a boca se mexe, mas a voz não corresponde ao corpo. A credibilidade esvai-se e a imagem de liderança independente nunca se firma.

Se o Republicanos quer se projetar como partido com autonomia nacional, precisará soltar-se dos fios e dar voz própria. Caso contrário, Hugo Motta permanecerá como símbolo de um estilo velho e conhecido em Brasília: o presidente que fala sem dizer, que lidera sem liderar – um presidente ventríloquo.

Creditos: Professor Raul Rodrigues