O freio de arrumação de Lula após rompante de “aliados” na PEC dos bandidos

Após a rebelião de “aliados” no Congresso, o Planalto tenta retomar o controle da base, mas expõe fragilidade e dependência de apoios oportunistas.

O freio de arrumação de Lula após rompante de “aliados” na PEC dos bandidos

A votação da chamada PEC dos Bandidos, apelidada assim por parcela significativa da opinião pública, revelou um fato que o Planalto vinha tentando empurrar para debaixo do tapete: a base governista não é sólida, tampouco confiável. O episódio mostrou um rompante de “aliados”, muitos dos quais, na hora decisiva, escolheram virar as costas para o governo e embarcar no populismo parlamentar que protege a impunidade.

O presidente Lula, que há muito exerce sua habilidade política em meio a crises e rebeliões, viu-se obrigado a puxar o freio de arrumação. Não se trata apenas de reorganizar votos no Congresso, mas de restabelecer autoridade sobre partidos que vivem de chantagem política, entregando cargos e favores em troca de lealdade efêmera. A questão central agora não é a PEC em si, mas a mensagem que ficou: o governo pode ser atropelado a qualquer momento por aqueles que deveriam sustentá-lo.

Esse freio de arrumação exigirá mais do que reuniões de emergência. Lula terá de redefinir o pacto com sua base: quem é realmente aliado e quem apenas ocupa espaço para barganhar vantagens? O episódio da PEC dos Bandidos mostrou que a governabilidade não pode depender de apoios oportunistas, mas de alinhamento político real. Caso contrário, a cada votação estratégica, o governo se verá refém de um Congresso fragmentado e volátil.

O Planalto sabe que, se não agir com firmeza, abre-se um precedente perigoso: qualquer pauta pode ser rifada em nome de conveniências eleitorais e individuais. É nesse ponto que o freio de arrumação deixa de ser apenas manobra tática e passa a ser questão de sobrevivência política.

No fim das contas, o episódio revela que o maior adversário de Lula talvez não esteja na oposição formal, mas sim dentro de sua própria base — um amontoado de “aliados” que se revelam cúmplices da impunidade quando a oportunidade aparece.

Creditos: Professor Raul Rodrigues