Paulinho da Força e a farsa da meia-punição: reduzir pena também é anistiar
19/09/2025, 14:17:03Querm decide pena não é o judiciário? Então como assim o parlamento invade prerrogativas do STF?
A cena política brasileira sempre reserva seus paradoxos, mas, desta vez, o enredo beira o surreal. Paulinho da Força, deputado conhecido por sua habilidade em costurar alianças que mais parecem remendos de conveniência, resolveu tentar suavizar a polêmica PEC da Anistia com uma proposta que soa, no mínimo, contraditória: redução de pena para todos.
A PEC em questão já nasce cercada de críticas por seu caráter de indulgência generalizada, praticamente lavando a alma dos que deveriam prestar contas ao país. Em vez de corrigir seus excessos, Paulinho tenta jogar perfume no esgoto: sugere que, ao invés de apagar completamente os crimes, se reduza as penas. O problema? Continua sendo indulgência. Continua sendo privilégio. E, acima de tudo, continua sendo um tapa na cara da sociedade que paga a conta.
A pergunta que ecoa é simples: desde quando o crime contra o erário público pode ser tratado como se fosse mera infração de trânsito? Não estamos diante de um abrandamento da lei para casos isolados, mas de uma regra abrangente que transformaria punição em alívio — como se corrupção, caixa dois e irregularidades eleitorais fossem pecados veniais facilmente negociáveis no balcão do Congresso.
Na prática, Paulinho tenta vestir a PEC com um manto de razoabilidade, dizendo: “não é anistia total, apenas redução de pena”. Mas a lógica por trás desse raciocínio é tão absurda quanto dizer que, em vez de absolver o ladrão, vamos apenas devolver a ele parte do produto roubado para que não fique tão constrangido.
O recado político é claro: não se trata de corrigir erros, mas de preservar a classe política de seus próprios desvios. E aí reside o perigo. Um Congresso que deveria legislar para o povo se empenha em legislar para si mesmo, em manobras que parecem feitas sob medida para proteger seus pares.
Se anistiar é indecente, reduzir penas em bloco não deixa de ser escárnio. O Brasil não precisa de suavizações para criminosos de colarinho branco; precisa de exemplos, de responsabilidade, de moralidade pública. A sociedade não pode aceitar que “meia-punição” seja vendida como avanço democrático.
No fundo, a proposta de Paulinho é apenas mais uma estratégia para tentar transformar o inaceitável em palatável. Uma tentativa de dourar o remédio amargo da impunidade. Mas, como sempre, o gosto permanece o mesmo: amargo para o povo, doce para os que vivem das brechas do sistema.