Maioria acha justa condenacao de Bolsonaro diz pesquisa CNT
09/09/2025, 13:33:30
Resumo da pesquisa CNT
A mais recente edição da pesquisa CNT/MDA traz dados relevantes sobre a percepção dos brasileiros a respeito de uma eventual condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe entre 2022 e 2023. O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre os dias 3 e 6 de setembro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Principais resultados
Segundo a pesquisa, 49,6% da população considera justa uma condenação de Bolsonaro, enquanto 36,9% avaliam que a decisão seria injusta. Outros 13,5% não souberam opinar. Quando questionados sobre a probabilidade de condenação, 57,6% acreditam que Bolsonaro será condenado, 28,9% esperam absolvição e 13,5% não souberam responder.
Opiniões sobre o cumprimento da pena
O levantamento detalha também as preferências sobre onde uma eventual pena deveria ser cumprida, revelando divergências na sociedade:
- 32,2% defendem prisão domiciliar;
- 31,3% acreditam que a pena deveria começar em penitenciária;
- 16,4% optam por cumprimento em prédio militar;
- 9,9% indicam sala especial da Polícia Federal;
- 10,2% não responderam.
Impacto político e polarização
A pesquisa também avaliou expectativas sobre o impacto de uma condenação na dinâmica política do país. Para 39,4% dos entrevistados, a polarização tende a aumentar, enquanto 29,2% acreditam que a polarização permanecerá no mesmo nível. Apenas 18,8% veem uma possibilidade de redução da polarização, e 12,6% não souberam opinar.
Avaliação do governo e desempenho pessoal de Lula
Em paralelo às questões sobre Bolsonaro, a 165ª Pesquisa CNT de Opinião aponta melhora na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A aprovação do governo subiu para 31%, e a reprovação manteve-se em 40%. No desempenho pessoal, Lula avançou de 41% para 44% de aprovação, enquanto a desaprovação caiu de 53% para 49%.
Percepções sobre os atos de 8 de janeiro
Ao analisar a interpretação dos episódios de 8 de janeiro de 2023, a pesquisa mostra que 36,1% entendem ter havido tentativa de golpe. Outros 29,5% acreditam que foi um protesto que saiu do controle, 20% consideram ter sido apenas vandalismo isolado e 14,4% não souberam responder.
Recortes por gênero, idade, escolaridade e região
A adesão à ideia de tentativa de golpe apresenta variações importantes conforme grupos sociodemográficos. Entre mulheres, 37% acreditam na tentativa, contra 36% dos homens. Por faixa etária, os que têm 60 anos ou mais são os que mais apontam para tentativa de golpe, seguidos por pessoas de 45 a 59 anos e de 25 a 34 anos.
No nível de escolaridade houve empate entre Ensino Fundamental e Ensino Superior, ambos com 39% que consideram ter havido tentativa de golpe; entre quem tem Ensino Médio o índice cai para 33%. Regionalmente, Nordeste e Sudeste apresentam resultados próximos: 41% no Nordeste e 40% no Sudeste acreditam na tentativa de golpe.
No recorte religioso, há divergência: 37% dos católicos avaliam que houve tentativa de golpe, enquanto entre evangélicos o índice é de 27%. Já a visão de que os eventos foram um protesto fora de controle é mais forte entre evangélicos (37%) do que entre católicos (27%).
Contexto do julgamento e possíveis desdobramentos
O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete militares do chamado núcleo 1 estão sendo julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação em trama golpista. O julgamento teve início na semana anterior e foi retomado no calendário recente. A pesquisa surge em um momento sensível, quando a opinião pública acompanha de perto os desdobramentos judiciais e políticos.
Além de medir percepções sobre culpa e possíveis punições, a pesquisa aponta tendências que podem influenciar decisões políticas, articulações partidárias e o discurso público. A expectativa de aumento da polarização, por exemplo, sinaliza risco de intensificação de conflitos políticos e de mensagens mais duras em campanhas e redes sociais.
O que esses números indicam
De modo geral, os resultados reforçam a complexidade do cenário brasileiro: há uma parcela significativa da população que considera justa uma condenação e acredita que ela ocorrerá, ao mesmo tempo em que existe uma fatia expressiva que discorda dessa avaliação. Esse equilíbrio aponta para um ambiente político que pode reagir de maneiras distintas a decisões judiciais, dependendo das estratégias de comunicação e das interpretações que líderes e veículos de mídia adotarem.
Conclusão
A pesquisa CNT/MDA mostra que a opinião pública brasileira está dividida, porém com uma tendência majoritária a considerar justa uma eventual condenação de Jair Bolsonaro. Os resultados têm potencial para influenciar não apenas o debate público, mas também as estratégias judiciais e políticas nos próximos meses. Em paralelo, a melhora na avaliação do presidente Lula demonstra que o tabuleiro político segue dinâmico, com espaço para mudanças.
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