Quando a futilidade ganhou espaço nas mídias, a inteligência se volatilizou
25/08/2025, 04:59:05Hoje a internet tem por obrigação delimitar acesso a áreas e tóicos por faixa etária depois de tantos estragos às crianças, adolescentes e até idosos com falsas ofertas de todos os contéudos destruidores do futuro.
Vivemos uma era em que o espaço da mídia, antes destinado à informação, análise e formação de opinião crítica, vem sendo tomado por um fenômeno silencioso, porém devastador: a glorificação da futilidade. A inteligência, que deveria ocupar o centro da cena, foi empurrada para as margens, quase como se fosse incômoda ou “pouco atrativa” diante da superficialidade que garante engajamento rápido.
A lógica das redes sociais, regida por cliques, curtidas e compartilhamentos, transformou a atenção humana em moeda. O que vende não é o conteúdo denso, reflexivo ou transformador, mas sim o espetáculo imediato: a vida pessoal de celebridades, intrigas banais, danças repetitivas, escândalos fabricados e manchetes apelativas. Nesse cenário, o debate intelectual não encontra palco, pois exige tempo, concentração e maturidade – luxos que parecem escassos na sociedade do imediatismo.
O problema vai além da perda de qualidade informativa: trata-se da corrosão cultural. Quando a futilidade ocupa os holofotes, a inteligência se volatiliza porque perde valor social. O pensar crítico se torna desnecessário, quase inconveniente, diante da enxurrada de estímulos fáceis. Surge, então, uma geração treinada para o consumo instantâneo de conteúdos descartáveis, mas despreparada para compreender a complexidade do mundo em que vive.
Esse deslocamento também revela uma inversão de papéis: antes, a mídia ditava parâmetros de qualidade e responsabilidade; hoje, se molda ao apetite do público, buscando a viralização a qualquer custo. A consequência é a erosão da fronteira entre informação e entretenimento, jornalismo e espetáculo, relevância e irrelevância.
Resgatar o espaço da inteligência nas mídias não significa negar o lúdico ou o entretenimento. Significa restabelecer um equilíbrio em que o riso e a leveza convivam com o saber e a reflexão. Significa dar voz a quem pensa, cria e questiona, sem que essas vozes sejam abafadas pelo barulho da banalidade.
A futilidade pode até divertir, mas não sustenta civilizações. A inteligência, sim, é o motor que move sociedades em direção ao progresso, à justiça e à liberdade. Se ela continuar sendo volatilizada em nome da audiência, corremos o risco de trocar conhecimento por espetáculo e pensamento por espetáculo vazio – um preço alto demais para ser pago apenas pela ilusão de “likes”.