Que Justiça Existe na Câmara Federal se Baderneiros Ficarem Impunes?

Toamara de asslto a mesa diretora da Casa de Leis, gritaram palavras de rodem, e impediram a reabertura do ano legislativo. Mas, por medo, a punição da presidência será anistia...

Que Justiça Existe na Câmara Federal se Baderneiros Ficarem Impunes?

A palavra “Justiça” deveria ecoar como um pilar inquebrantável dentro de qualquer instituição da República. No entanto, quando se observa o cenário da Câmara Federal, a sensação é de que o conceito se perde entre discursos vazios, interesses particulares e conchavos de bastidor. Se baderneiros — aqueles que agem com desrespeito às normas, à ordem e ao próprio decoro parlamentar — ficarem impunes, o que resta da ideia de Justiça?

A Câmara dos Deputados, além de representar a voz do povo, é também guardiã da ordem legislativa e do respeito mútuo. Quando um parlamentar ou qualquer outro agente, protegido por imunidades ou alianças políticas, promove confusão, incita desordem ou afronta instituições e sai ileso, o recado transmitido é perigoso: vale tudo, desde que se tenha influência. E nesse vale-tudo, a Justiça se apequena, o decoro se transforma em mera formalidade protocolar e a impunidade vira incentivo para novas afrontas.

O problema não é apenas jurídico, é moral. Porque, se a própria Casa do Povo admite comportamentos que ela mesma condena em leis que aprova, instala-se um sistema de dois pesos e duas medidas: punição rigorosa para o cidadão comum e vista grossa para quem ostenta mandato. A consequência é um abismo entre a sociedade e seus representantes, gerando descrença e corrosão da legitimidade política.

Afinal, que tipo de exemplo é dado ao país quando “baderneiro” se torna sinônimo de “esperto” e não de “infrator”? Que moral terá a Câmara para cobrar ordem e respeito se não pratica esses valores em seu próprio quintal?

Se não há responsabilização interna — seja por meio de cassações, suspensões ou sanções exemplares —, o Parlamento abdica de ser um guardião da democracia e se torna apenas um palco de conveniências. E, nesse palco, a Justiça não passa de figurante muda.

No fim, a questão é simples: ou a Câmara Federal demonstra que nenhum cargo, partido ou arranjo político está acima da lei, ou continuará alimentando a perigosa lição de que a impunidade é o maior privilégio que um mandato pode oferecer.

Creditos: Professor Raul Rodrigues