Motta avalia imagens para punir deputados por motim

Motta avalia imagens para punir deputados por motim

Contexto da Situação

BRASÍLIA, DF (FOLHARPESS) - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que analisa imagens das câmeras da Casa para definir se e quais deputados serão punidos por terem resistido a liberar a Mesa Diretora na noite desta quarta-feira (6), quando ele teve dificuldade para recuperar o comando do plenário.

Possíveis Alvos de Punição

Pelo menos três deputados são mencionados pelos colegas como possíveis alvos de punição: Zé Trovão (PL-SC), que barrou por alguns segundos a subida de Motta à mesa, Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS), que se recusaram a deixar as cadeiras que ocupavam. A avaliação de aliados de Motta é a de que deixar de punir Van Hattem poderia desmoralizá-lo. O líder do Novo estava sentado na cadeira da presidência.

Ação e Comunicação de Motta

Na tarde de quarta (6), quando decidiu convocar uma sessão e retomar o plenário, Motta divulgou um comunicado no qual dizia que "quaisquer condutas que tenham por finalidade impedir ou obstaculizar as atividades legislativas" estariam sujeitas à suspensão cautelar do mandato por até seis meses.

Entrevista ao Portal Metrópoles

"Estamos avaliando as imagens, existem pedidos de líderes para punir. Será uma decisão conjunta da mesa. Está, sim, em avaliação punição a alguns parlamentares que se excederam para dificultar o reinício dos trabalhos", disse ele em entrevista ao portal Metrópoles nesta quinta (7). "Não cabe a esse presidente usar da força física para garantir a normalidade dos trabalhos, cabe usar instrumentos regimentais", completou.

Declarações de Outros Deputados

Mais cedo, ao chegar à Câmara no início da tarde, Motta afirmou à imprensa que "providências seriam tomadas até o final do dia". "Se alguém tiver que ser punido sou eu, não o Trovão", disse Sóstenes, que nesta quinta fez um discurso em que manteve os ataques ao Supremo Tribunal Federal, mas defendeu conciliação, incluindo um pedido de perdão a Motta durante a sessão.

Trovão afirmou que se posicionou para evitar a tentativa de retirada de parlamentares à força. "Em nenhum momento pensamos em incentivar a violência ou qualquer coisa do tipo, simplesmente estávamos somente nos defendendo caso necessário. O nosso protesto foi para que o presidente Hugo Motta cumprisse com a palavra de pautar a anistia e, após nossa liderança ser ouvida, liberamos a subida", afirmou.

Reação de Van Hattem

Van Hattem afirmou ao jornal O Globo que resistiu a deixar a cadeira porque não tinha sido avisado de que a oposição havia aceitado acabar com o motim. Motta conseguiu recuperar a cadeira às 22h21 desta quarta-feira após uma longa negociação com a oposição mediada por seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL). O presidente da Casa demorou mais de seis minutos para atravessar o mar de deputados bolsonaristas que ocuparam a Mesa da Câmara desde terça-feira (5). Ele chegou a andar de volta ao gabinete após chegar perto da cadeira e ela não ser cedida por Van Hattem. Depois de muita conversa e empurra-empurra, ele foi praticamente arrastado de volta para a cadeira e abriu a sessão plenária.