Marina critica preços abusivos de hotéis na COP30
08/08/2025, 05:31:40
Crítica aos preços abusivos de hospedagem
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, levantou uma séria preocupação a respeito dos preços de hospedagem em Belém para a COP30. Ela qualificou a situação como uma "espécie de extorsão", advertindo que tais aumentos podem inviabilizar a presença de delegações, especialmente de países em desenvolvimento, no encontro que está agendado para novembro de 2025. Esta afirmação foi feita durante uma entrevista ao podcast "Bom dia, Fim do Mundo!".
Aumento abusivo nos preços
Marina não hesitou em criticar o que chamou de "o absurdo dos absurdos", referindo-se ao aumento de até 15 vezes no valor das diárias em hotéis da capital paraense. O governo federal já está ciente do problema e, segundo a ministra, está trabalhando em conjunto com as autoridades locais para evitar que essa situação prejudique a imagem do Brasil como anfitrião do evento climático mais significativo do mundo.
Oportunidade histórica para o desenvolvimento
A ministra frisou que a COP30 representa uma oportunidade histórica de desenvolvimento, tanto para o Pará quanto para o Brasil. "Quantas mil pessoas virão de outros países e que poderão transformar a cidade, o estado, a região em um endereço turístico, nas mais diferentes modalidades, seja do ponto de vista do turismo de massa, do turismo científico, do turismo social, cultural?", perguntou Marina.
Os riscos da especulação
No entanto, ela também alertou que a especulação nos preços pode ter o efeito contrário ao esperado. "Não podemos pensar em destruir a galinha dos ovos de ouro", enfatizou.
Desafios políticos e ambientais
Além das questões de logística, Marina também discorreu sobre o momento político em Brasília. Com o prazo se esgotando para o presidente Lula sancionar ou vetar o Projeto de Lei do Licenciamento Ambiental, conhecido como PL da Devastação, a ministra expressou sua preocupação ao afirmar que a proposta "decepa a estrutura do licenciamento ambiental brasileiro".
Alternativas em estudo
Marina mencionou que o governo está explorando alternativas, como uma medida provisória ou um novo projeto de lei, para abordar as partes mais problemáticas da proposta, especialmente aquelas que tratam das Licenças Ambientais Especiais (LAE) e de Acordo e Compromisso (LAC).
Geopolítica e solidariedade internacional
A ministra também abordou o panorama geopolítico que pode dificultar os progressos na COP30. Ela destacou que as guerras e o "tarifaço" realizado pelos Estados Unidos prejudicam as relações de solidariedade entre as nações. "As guerras minam a solidariedade, minam as parcerias, criam situações de desencontros e nós temos, além das guerras bélicas, uma guerra tarifária que está sendo feita pela maior potência econômica e bélica do mundo em todas as direções", declarou.
Mantendo a liderança climática
Apesar de todos esses desafios, Marina reiterou a importância do Brasil em manter sua posição de liderança climática. Para ela, a COP30 deve resultar em um plano concreto visando ao fim do uso de combustíveis fósseis. "A pior coisa que tem é você não se planejar para a mudança e ser mudado abruptamente pela realidade", alertou.
Compromisso com o desmatamento zero
Por fim, a ministra reafirmou o compromisso do Brasil em zerar o desmatamento até 2030, destacando uma queda de 61% nos alertas em todo o país e de 89% na Amazônia entre julho de 2024 e julho de 2025. Apesar disso, expressou preocupação com o avanço dos incêndios florestais, que foram exacerbados pelas mudanças climáticas. "O fato de você ter uma doença que depois você descobre que ela é mais grave do que você imaginava, não te faz abandonar o diagnóstico e, muito menos, de aplicar o tratamento necessário", comparou.
Capacitação nas respostas a incêndios
Marina destacou o fortalecimento da estrutura de combate a incêndios, que inclui mais brigadistas, veículos e aeronaves, além de treinamentos integrados entre estados e municípios. "Esse ano nós intensificamos ainda mais a nossa capacidade de resposta. E essa capacidade de resposta e de pronta ação, independe até da questão climática, porque muitas vezes essas variáveis podem mudar e a gente está preparado", garantiu.
