Lula critica FMI e Banco Mundial no Brics
08/07/2025, 04:32:02
Críticas ao FMI e Banco Mundial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas, neste domingo (6), ao papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, instituções que, segundo sua perspectiva, "sustentam um Plano Marshall às avessas, em que as economias emergentes e em desenvolvimento financiam o mundo mais desenvolvido". As declarações foram proferidas durante a intervenção na segunda sessão plenária da cúpula de líderes, realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, que teve como foco o fortalecimento do multilateralismo, as questões econômico-financeiras e a inteligência artificial (IA).
O "Plano Marshall" refere-se à ajuda financeira que os Estados Unidos ofereceram para a reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial. Para Lula, a situação é alarmante: enquanto o FMI e o Banco Mundial se concentram nas nações desenvolvidas, "os fluxos de ajuda internacional caíram, e o custo da dívida dos países mais pobres aumentou".
Poder no FMI e desigualdade
Aproveitando a oportunidade na reunião do Brics, liderada pelo Brasil, Lula exigiu uma ampliação do poder dos países do Sul Global no FMI – uma instituição que deve colaborar para o bom funcionamento do sistema financeiro global e auxiliar na crise econômica. Ele afirmou: "As distorções são inegáveis" e que o poder de voto do Brics no FMI deveria corresponder a pelo menos 25%, em oposição aos 18% atuais.
O presidente brasileiro também denunciou o neoliberalismo, que, segundo ele, exacerba as desigualdades, mencionando que "três mil bilionários ganharam US$ 6,5 trilhões desde 2015".
Banco do Brics e inclusão financeira
No mesmo evento, Lula também elogiou o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics. Ele declarou que o banco “dá uma lição de governança”, citando a recente adesão da Argélia e o processo de inclusão de países como Colômbia, Uzbequistão e Peru. O Novo Banco de Desenvolvimento foi criado pelo Brics em 2015 e, desde 2023, a ex-presidente Dilma Rousseff ocupa o cargo de presidente da instituição, que tem sede na China. A participação de países de fora do Brics no NDB foi mencionada, destacando a capacidade do banco em oferecer financiamento para uma transição justa e soberana.
Lula enfatizou ainda a necessidade de justiça tributária, com ricos pagando mais impostos, como fundamental para estratégias de crescimento inclusivas e sustentáveis.
Críticas à OMC e proteção comercial
Lula também fez críticas à Organização Mundial do Comércio (OMC), ressaltando que “sua paralisia e o recrudescimento do protecionismo criam uma situação de assimetria insustentável para os países em desenvolvimento.” Isto ocorre em um ano marcado por tensões comerciais, especialmente com a aplicação de tarifas por parte dos Estados Unidos.
Governo da Inteligência Artificial
Na discussão sobre inteligência artificial, o presidente afirmou que o Brics adotou uma declaração sobre governança dessa tecnologia, uma mensagem clara de que deve haver um modelo justo e inclusivo para seu desenvolvimento. “O progresso da IA não pode ser um privilégio de poucos países ou um instrumento de manipulação na mão de bilionários”, defendeu Lula, ressaltando a importância de incluir o setor privado e a sociedade civil nesse debate.
Expansão do Brics
Lula também destacou que essa 17ª reunião de líderes do Brics marca uma expansão histórica do grupo, que agora inclui países-parceiros. Isso representa uma nova modalidade estabelecida na cúpula de Kasan, em 2024, onde essas nações não possuem poder de voto, mas oferecem perspectivas regionais distintas que enriquecem a articulação das ideias do Sul Global.
Por fim, o Brics, composto por países como África do Sul, Brasil, China, Índia, entre outros, representa uma relevante fatia da economia global, abrangendo 39% do PIB mundial e 48,5% da população global. Lula enfatizou a necessidade de um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico, reiterando a importância do Brics nesse contexto.
