Descoberta de corpos do século 17 em Milão revela segredos
02/05/2025, 12:32:23Uma Revelação Histórica em Milão
Milão, a cidade italiana, guarda um verdadeiro tesouro sob suas ruas. Uma cripta subterrânea do século XVII foi descoberta sob o Ospedale Maggiore, um renomado hospital local. O local abriga impressionantes 2,9 milhões de restos mortais de pacientes pobres que morreram entre 1637 e 1697. Selado por 300 anos devido ao mau cheiro resultante da decomposição lenta, o espaço foi reaberto em 2010 por pesquisadores da Universidade de Milão (UNIMI).
Pesquisas Multidisciplinares
A equipe encarregada desta investigação é composta por arqueólogos, geneticistas e toxicologistas. Esses especialistas têm como objetivo reconstruir a vida de trabalhadores urbanos que foram esquecidos pela história tradicional. As análises incluem DNA, placas dentárias e até tecidos moles preservados.
Doenças e Limitações Medicas
Através dos ossos encontrados, foi possível observar uma população severamente afetada por doenças, incluindo tuberculose, sifilis e desnutrição. Marcas de amputações e operações rudimentares evidenciam as limitações da medicina da época. "De 10 a 15 pacientes morriam por dia no hospital", comenta Mirko Mattia, bioarqueólogo da UNIMI.
Descobertas Surpreendentes na Dieta
A alta umidade das câmaras funerárias preservou até tecido cerebral, revelando a presença de substâncias como ópio e coca. Este último, utilizado como estimulante, antecipa em 200 anos o primeiro registro histórico da planta na Europa. Placas dentárias fossilizadas revelam que a dieta dos pobres era composta principalmente por grãos como trigo e cevada, além de vestígios de batata, um alimento recém-introduzido das Américas. "A história diz que a batata era impopular, mas nossos dados mostram que já estava presente", afirma o botânico Marco Caccianiga.
Uso de Drogas na Época
Embora hoje o milho seja um símbolo da culinária local, era raro entre os pobres da época, e não há indícios de consumo de tomate, que provavelmente era utilizado apenas como planta ornamental. As análises revelaram a presença de morfinas, canabinoides e coca em tecidos preservados. "Encontramos coca em nove pacientes. Isso sugere que seu uso já era disseminado na Europa", declara Gaia Giordano, toxicologista forense.
Registros Históricos Importantes
Os arquivos do Ospedale Maggiore, que totalizam 4 km de prateleiras, incluem o que é considerado o primeiro registro municipal de causas de óbito na Europa, o Livro dos Mortos, que começou a ser compilado em 1451. Ao combinar estes dados com as análises osteológicas, os pesquisadores conseguiram reconstruir rostos de pacientes, incluindo o de uma mulher vítima de sífilis. "Os corpos são uma representação mais honesta dos vulneráveis", afirma Cristina Cattaneo, chefe do laboratório forense da UNIMI.