Simbolismo e Mitologia no Futebol
31/03/2025, 08:30:49A Lenda de Messi e Cristiano Ronaldo

O futebol sempre foi mais do que um simples esporte. Desde os seus primórdios, ele se conecta a emoções profundas, identidades nacionais, paixões coletivas e até mesmo à fé. Com o tempo, jogadores excepcionais passaram a ocupar o imaginário popular como figuras que transcendem o campo de jogo e as telas das plataformas de casas de apostas como o 20Bet. No século XXI, nenhum exemplo é mais marcante do que a rivalidade entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Mais do que atletas, ambos se tornaram símbolos e arquétipos, em torno dos quais se construíram verdadeiras narrativas mitológicas.
Messi: O Escolhido, o Gênio Natural
Lionel Messi é frequentemente retratado como o "escolhido". Sua história tem tons de conto de fadas moderno. Um garoto tímido de Rosário, diagnosticado com um problema de crescimento, acolhido por um clube europeu e, que com o tempo, transformado no maior jogador da sua geração. A narrativa de Messi é de alguém que carrega o dom nato, o talento puro que transcende a técnica. Seus dribles, visão de jogo e inteligência tática são muitas vezes descritos como "divinos", como se ele fosse uma espécie de instrumento dos deuses do futebol.
Os fãs de Messi, conscientes ou não, perpetuam essa imagem. Ele é frequentemente comparado a figuras míticas: o "Messias", o "gênio", o "poeta do futebol". Há uma aura de pureza ao redor dele, um romantismo que valoriza sua lealdade ao Barcelona por tantos anos, sua humildade fora de campo e sua dedicação silenciosa à excelência. Messi representa o herói trágico que luta em silêncio, muitas vezes incompreendido, mas que carrega consigo a verdade do jogo.
Cristiano Ronaldo: O Herói Forjado, o Semideus
Do outro lado, temos Cristiano Ronaldo — o símbolo da superação, da disciplina e da busca implacável pela perfeição. Se Messi é o "escolhido", Cristiano é o "forjado". Sua mitologia é construída em torno do esforço, do trabalho duro e da obstinação. Ele não foi agraciado apenas com talento: ele construiu sua lenda com treino, foco e ambição. Sua trajetória, saindo da ilha da Madeira até conquistar o mundo, é um épico moderno.
Cristiano é muitas vezes visto como um semideus — uma figura que não apenas domina o jogo, mas que o transforma com sua presença. Seus fãs o enxergam como um símbolo de poder, liderança e conquista. Sua imagem pública — corpo esculpido, gestos de confiança, gritos de celebração — reforça a ideia de alguém quase sobre-humano. Ele representa o herói que se recusa a ser derrotado, que desafia seus limites e que busca a glória com uma intensidade quase mitológica.
A Construção das Narrativas Míticas
A rivalidade entre Messi e Cristiano é alimentada por torcedores, mídia e marcas. Cada jogo, cada premiação, cada transferência vira capítulo de uma saga. A mitologia em torno deles não se limita ao que acontece dentro das quatro linhas, mas se estende para suas histórias pessoais, suas decisões e até suas expressões faciais.
A mídia, por sua vez, atua como um moderno contador de mitos. Reportagens, documentários, campanhas publicitárias — tudo contribui para criar versões idealizadas (e muitas vezes exageradas) desses atletas. Messi e Cristiano deixam de ser apenas jogadores e se tornam arquétipos com os quais as pessoas se identificam ou aos quais aspiram. O torcedor escolhe seu herói com base em seus próprios valores: quem valoriza o talento natural e a modéstia se vê em Messi; quem admira a força de vontade e a ambição, em Cristiano.
Religião, Ídolos e Identidade
O culto a esses jogadores beira frequentemente o religioso. Há cantos de torcida que os comparam a deuses, tatuagens com seus rostos, páginas dedicadas a celebrar cada passo de suas carreiras. Em muitos casos, o debate entre fãs ultrapassa o racional e assume tons de fé. Assim como nas mitologias antigas, há espaço para milagres (gols improváveis), traições (saídas de clubes), provações (momentos de crise) e redenção (grandes retornos).
Além disso, Messi e Cristiano se tornaram representantes de identidades regionais e culturais. Messi carrega a bandeira da América do Sul, da Argentina, do futebol arte. Cristiano representa a força europeia, a mentalidade vencedora, a ascensão por mérito. Suas histórias são apropriadas por nações, clubes e comunidades como símbolos de orgulho coletivo.
O Legado Mítico
Quando ambos se aposentarem — o que não está longe — o que ficará não serão apenas os números (gols, títulos, recordes), mas o mito. Assim como Pelé, Maradona, Cruyff ou Zidane, Messi e Cristiano ocuparão um espaço no panteão do futebol não apenas como lendas, mas como personagens centrais de uma mitologia moderna.
Essas narrativas criadas em torno deles não são meramente exageros de fãs emocionados. Elas revelam algo essencial sobre o ser humano: nossa necessidade de heróis, de histórias épicas, de figuras que nos façam acreditar que é possível transcender as limitações do comum. No fim das contas, o futebol não é só esporte — é também literatura, religião e teatro. E Messi e Cristiano, com todos os seus contrastes, são os protagonistas perfeitos desse espetáculo eterno.