Lula deve buscar apoio de partidos para reforma ministerial
31/03/2025, 15:34:53
Lula e a Reforma Ministerial
O presidente Lula (PT) planeja se reunir com presidentes de partidos que fazem parte do governo, assim que retornar ao Brasil, para avançar nas negociações de uma reforma ministerial. As discussões sobre eventuais mudanças nos ministérios vêm se arrastando há meses, mas, até agora, as únicas alterações confirmadas foram nas pastas sob o comando do PT.
Segundo informações de dois ministros, Lula expressou sua intenção de se encontrar com dirigentes partidários logo que voltar de sua viagem ao Japão e ao Vietnã. Entre os nomes mencionados, estão os presidentes do PSD, Gilberto Kassab, e do Republicanos, Marcos Pereira.
Missão Internacional
O presidente partiu no dia 22 e retornou ao país neste domingo (30). Durante sua missão internacional, ele convidou os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), além de outros congressistas, como parte de uma estratégia para estreitar vínculos com o Congresso Nacional.
Desde a troca das presidências da Câmara e do Senado, Lula tem enfatizado a importância de manter um diálogo construtivo com as lideranças dessas casas. Nas últimas semanas, ele se encontrou diversas vezes com Alcolumbre e Motta. Em um almoço recentemente, o presidente sinalizou a eles que buscaria os presidentes dos partidos aliados para debater a reforma ministerial.
Expectativas e Clima da Viagem
Existem expectativas entre os aliados de Lula de que as discussões tenham avançado durante a viagem. Um parlamentar que participou da comitiva ao Japão e ao Vietnã relatou que a viagem foi marcada por um clima descontraído, sem discussões detalhadas sobre questões cotidianas, e com diversas interações entre Lula e os parlamentares.
O político acredita que Lula está "trabalhando para melhorar o clima" com o Congresso, e esse gesto é reconhecido pelos congressistas, que reivindicam um envolvimento mais direto do presidente nas articulações, bem como um maior diálogo com ele.
Trocas na Esplanada e Estratégia Política
A redução de tensões pode permitir que o presidente discuta, em um futuro próximo, assuntos como mudanças na Esplanada e pautas de interesse do governo. Em uma declaração à imprensa no Japão, Lula expressou a importância da união entre os presidentes dos Poderes para o bem do país, mas evitou entrar em detalhes sobre possíveis mudanças ministeriais.
Ele afirmou: "Não seria louco" em discutir os assuntos ministeriais durante a viagem, expressando a natureza fraternidade do evento e a riqueza da experiência vivida. Em relação a isso, disse: "Quando nós voltarmos ao Brasil, vamos discutir as coisas que temos que discutir".
Aliados e Possíveis Mudanças
O ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e líderes de outros partidos também acompanharam Lula na viagem. Tanto Pacheco quanto Lira foram cogitados para assumir ministérios, mas Pacheco se encontrou com Lula recentemente e descartou essa possibilidade.
Lira, por sua vez, comunicou a interlocutores que não houveram negociações concretas sobre ministérios e que ele pretende focar na presidência da federação entre PP e União Brasil, caso essa aliança seja confirmada.
Momento Delicado e Descontentamentos
As discussões sobre a reforma ocorrem em um contexto de baixa popularidade do governo. Muitas siglas que atualmente integram a base aliada estão considerando lançar candidaturas próprias à Presidência, ao mesmo tempo em que há descontentamento entre membros do PP com o espaço que ocupam no governo.
Apesar das queixas, há uma resistência entre integrantes do centrão em aumentar sua participação no governo, em um período de queda na popularidade de Lula. Os integrantes também expressam preocupações sobre a legislação que exige que um político deixe o cargo até abril de 2026 para concorrer às eleições.
Críticas e Candidaturas de Centro-Direita
Os presidentes das siglas de centro, que são foco das próximas conversas de Lula, não garantem apoio ao petista em 2026. Nos últimos tempos, diversos líderes desses partidos realizaram críticas públicas à gestão de Lula. Em uma recente entrevista, Kassab descreveu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como fraco, e afirmou que o PT perderia a eleição se ocorresse naquele instante.
Em outra oportunidade, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, ressaltou que Lula atravessa seu pior momento em seu terceiro mandato e que ele precisa ouvir mais os partidos aliados. Marcos Pereira, do Republicanos, mencionou publicamente a tendência de seu partido apoiar uma candidatura de centro-direita na próxima eleição.
Trocas Recentes e Futuras
Este ano, Lula já oficializou mudanças em três pastas: a chegada de Sidônio Palmeira na Secom (Secretaria de Comunicação Social), substituindo Paulo Pimenta (PT-RS); a nomeação de Gleisi Hoffmann (PT-PR) na Secretaria de Relações Institucionais, no lugar de Alexandre Padilha (PT-SP); e a transferência de Padilha para a Saúde, no lugar de Nísia Trindade.
Aliados de Lula não descartam futuras mudanças nas pastas sob controle do PT. Eles mencionam a Secretaria-Geral da Presidência, liderada por Márcio Macêdo, o Ministério das Mulheres, comandado por Cida Gonçalves, o Ministério de Desenvolvimento Agrário, que está sob o comando de Paulo Teixeira, e o Ministério do Desenvolvimento Social, ocupado por Wellington Dias.