Vereador é denunciado por assassinato em Delmiro Gouveia
18/03/2025, 05:34:48O caso do vereador Júnior Lisboa
Alan Gomes de Souza, conhecido como Alan da Casal, foi morto pelo vereador Júnior Lisboa com três tiros após uma discussão em um bar. O parlamentar alegou que agiu em legítima defesa, pois a vítima estaria armada e lhe deu um tapa no rosto. O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) denunciou nesta segunda-feira (17) à Justiça o vereador de Delmiro Gouveia Júnior Lisboa (MDB) pelo assassinato do servidor público Alan Gomes de Souza, ocorrido em 2024, no Sertão alagoano.
Detalhes do crime
O crime ocorreu no dia 14 de novembro em um bar no município de Delmiro Gouveia, após uma discussão. Segundo a denúncia do MP-AL, o parlamentar disparou três tiros de pistola .380 contra a vítima e fugiu do local.
O vereador e sua defesa
George Lisboa Junior, 58 anos, foi eleito vereador em Delmiro Gouveia em 2024 e está no terceiro mandato. De acordo com o Ministério Público, ele alegou agir em legítima defesa, relatando que a vítima lhe deu um tapa no rosto e estaria armada.
A 3ª Promotoria de Justiça afirmou que o vereador só se apresentou após o flagrante e admitiu ter efetuado os disparos. Apesar da determinação judicial para que utilizasse tornozeleira eletrônica, o parlamentar continua atuando normalmente na Câmara de Vereadores de Delmiro Gouveia, utilizando o equipamento de monitoramento.
Sobre a vítima
Alan Gomes tinha 43 anos e era funcionário efetivo da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), atuando na regional Sertão. Ele foi candidato a vereador pelo Solidariedade em Piranhas em 2020.
Situação da vítima no momento do incidente
Na denúncia, foi alegado que Alan Gomes estava desarmado e tinha diagnóstico de depressão e psicose desde 2019, o que resultou em alterações de comportamento. É importante mencionar que o vereador tinha uma relação extraconjugal com uma irmã de Alan Gomes.
O promotor Frederico Monteiro enfatizou: "Fica impossível sustentar que agiu em legítima defesa quando o cidadão deflagra três tiros em regiões vitais contra um esquizofrênico desarmado; ademais, quando era conhecedor da situação clínica da vítima e, em seguida, empreende fuga. Não há outra postura do Ministério Público senão a de denunciar o cidadão pela prática do crime pelo artigo 121, incisos II e IV do Código Penal. Uma ação de extrema violência, praticada em local público, a sociedade espera uma resposta e temos a missão de promover justiça".
Depoimentos e reações
Ao ser ouvida na 3ª Promotoria de Justiça, a filha de Alan Gomes relatou que seu pai se encontrava em surto devido aos transtornos psiquiátricos, o que teria levado à discussão e suposta agressão física contra o autor do crime.