Água: um bem público administrado por empresários.

O aumento de conjuntos residenciais com a crescente ampliação da população nos levará disputas irreversíveis pela água

Água: um bem público administrado por empresários.

Faz exatos vinte e dois anos que escrevi sobre o tema deste título no Jornal Tribuna de Alagoas quando expunha que Maceió é uma ilha se analisada sobre os seus limites periféricos, e que os grandes condomínios de luxo junto aos bairros elitizados da parte baixa terão gravíssimos problemas quanto à falta de água potável pelo esgotamento das fontes alimentadoras.

Maceió tem como limite em toda a sua extensão, o oceano Atlântico desde o bairro do Pontal da Barra até Jacarecica. É a frente da cidade para o mar.

Ao seu derredor subindo pelo Pontal da Barra, Bebedouro, Santa Lúcia, Tabuleiro dos Martins, Benedito Bentes I e II, Serraria até Jacarecica, faz um cinturão periférico que empurra para baixo a Maceió bem abastecida pelo precioso líquido desde a Praia da Avenida da Paz, Pajuçara, Ponta Verde, Jatiuca até Cruza das Almas. O miolo fica então exposto a uma descida das populações desses bairros periféricos em busca da água.

Essa é uma possibilidade não descartada diante de uma crise hídrica que se avizinha. E água é vida. E dentre todas as espécies, a luta pela sobrevivência termina pela lei do mais forte.

Esse exemplo pode ser detalhado para outras regiões com condições diferentes ou não, mas que o fato pode se repetir por entre outras cidades ou regiões.

A cidade de Piaçabuçu já sinaliza para buscas recorrentes pelo líquido da vida, e a proximidade com o mar já deu o recado; horasse pode captar a água – maré seca, outras horas não – maré cheia – pela presença do Sal em quantidades elevadas. E é cidade beijada pelas águas do rio da Unidade Nacional.

Penedo já se ressente nos dias atuais com a falta d'água constantemente na parte alta da cidade por falta de poços artesianos que venham a se somarem ao abastecimento das águas do Velho Chico. E quem era Penedo a muito pouco tempo atrás.

E como abrimos o artigo, água é um bem público, entretanto explorado por empresários que visam dessa riqueza natural, fazerem as suas fontes de rendas em altos valores em suas contas bancárias.

Neste momento não faremos uma projeção mundial, muito embora a grande imprensa do planeta já tenha emitido opiniões de um possível conflito entre os povos para terem para si, o domínio da água potável.   

Creditos: Raul Rodrigues