A reação das mulheres tem trazidos à tona velhos e gravíssimos problemas

Sempre que explode uma notícia sobre crime sexual, tem um parente envolvido. Infelizmente.

A reação das mulheres tem trazidos à tona velhos e gravíssimos problemas

Os números que substituíram a antiga violência no Nordeste como os crimes de mando e as mortes políticas por disputas territoriais e poder, e que têm praticamente desaparecido dos anais e manchetes dos veículos de imprensa, foram substituídos lentamente pelos crimes de ordem sexual, e de maneira doentia, em meio às famílias.

Os envolvidos são sempre avós e pais que violentam a netas e netos na mais tenra idade, desafiando ao judiciário e à sociedade que estarrecia se pergunta: “o que está a acontecer”?

As respostas são várias, apesar de não serem muitas.

Essa explosão não tem a ver com o período pandêmico. Neste período as coisas se acentuaram sim, mas não se pode determinar que foi esse o epicentro dessa modalidade crime pela reclusão das famílias contra a Covid-19. 

É bem mais sábio entender que foi pela coragem das mulheres que resolveram enfrentar e promover a derrocada do machismo que antes imperava como mantenedor, dono e proprietário da família, e pela violência imposta dentro das casas por entre surras e expulsões dos que nada podiam fazer.

É de domínio público que nos anos 60/70/80 muito se ouvia falar sobre pais que mantinham suas filhas sob duras regras, pelas quais, à boca miúda se falava em estupro das vulneráveis. E as famílias calavam em nome da honra familiar. 

A explosão de hoje se deve muito ou em quase toda pela forma de denúncia às mulheres que passaram a acreditar na justiça e pedir socorro em defesa dos filhos, netos, filhas e netas que se transformaram em estatísticas do terror espalhado dentro das condições de vulnerabilidade. 

Algo tem que começar a acontecer para se frear essa barbárie.   

 

Creditos: Raul Rodrigues