Semana retrô para os dias de feriados da Semana Santa – lancha dos operários com adendo de Ednaldo Fernandes

Não me canso de dedilhar juntando letras para formar palavras sobre o quanto Penedo é importante

Semana retrô para os dias de feriados da Semana Santa – lancha dos operários com adendo de Ednaldo Fernandes

Quando se fala sobre a família Peixoto&Gonçalves é impossível não se falar sobre o Comendador José da Silva Peixoto – Seu Zeca Peixoto – o maior empreendedor que Penedo teve, e de todos os tempos.

Em cada canto da cidade por onde ele passou fez questão de deixar uma marca de pioneirismo e desenvolvimento, e que não se pode permitir que o tempo e o vento espalhem das nossas memórias tantos marcos hoje já não mais existentes. Existentes fisicamente, porque nas memórias dos que viram somente a passagem de uma vida para a outra deixarão de existir em terra firme.

E para que os mais novos perpetuem nos anais da nossa cidade do Penedo, sempre que posso faço artigos que remontem a nossa história de verdades. E uma delas é a Lancha dos Operários ou Lancha da Passagem.

Podendo ser também chamada de Paquete, a Lancha dos Operários foi um dos símbolos da nobreza de Peixoto&Gonçalves, pois nela apenas atravessavam os funcionários considerados mais próximos do escritório onde trabalhava o Seu Zeca Peixoto.

Era suntuosa com bancos acolchoados e revestidos em cor marrom, movida por dois motores à óleo em cuja tripulação todos se mantinham impecavelmente fardados, incluindo o quepe aos moldes dos usados nas grandes embarcações – navio Comendador Peixoto, a lancha Tupã da família Barreto de Neópolis, ou nos filmes aos quais assistíamos no Cine São Francisco. Ainda não existia a televisão.  

Com o ronco quase macio e sob pequena cortina de fumaça em sua traseira a lancha flutuava por sobre as águas do temido rio São Francisco tempos com águas esverdeadas e profundas, noutros com cor amarelada – barrenta – pelas cheias, e ainda mais profundas.

Quando ancorada, era Cartão de Visita para turistas e trampolim para os desavisados meninos travessos que brincavam com o perigo naquele píer – famoso “peral” – ou águas muito fundas, o que não tirava o atrevimento ou coragem pela inconsequência das cabeças ocas dos meninos danados.

A Lancha da Passagem é mais uma marca indelével deixada pelo Seu Zeca Peixoto no Penedo.     

Leiam narrativa de quem viveu os tempos citados em nosso artigo, e que somente aumenta o banco de dados do CPA.

Por Ednaldo fernandes. 

Nos idos dos anos 70, trabalhei na Fábrica da Passagem, mais precisamente no escritório, onde tive alguns colegas que posso citar os nomes de alguns/algumas: Arnaldo Nunes, o conhecido Brasa, de Neopólis, Sr. Luna, Manoel Alves, Terezinha Calumby (Tetê), Elcio, Sr. Menezes, Antônio Carlos, Alda, Lucinda Feitosa, Soares e tantos outros.

Voltando ao assunto principal da matéria, conheci o Sr. José Otávio, piloto da lancha,  pai de D. Marlene do Oiteiro, e os  "marujos" que ajudavam na limpeza da lancha e amarravam à mesma quando ela aportava nas pontes flutuantes – píer – à beira do rio em Penedo e na Passagem.

Lembro-me os nomes dos dois como se fosse hoje, o Geraldo e o Juncundino....isso mesmo, era esse o nome do pobre coitado.

Fui também responsável por um tempo, pela documentação da mesma junto à Capitania dos Portos de Penedo, onde todos os anos, à lancha era levada para Piaçabuçu para fazer os devidos reparos, para evitar acidentes e/ou afundamento.

Depois pegávamos à caminhonete verde, cabine dupla, guiada pelo Sr. Severino, pegávamos os vistoriadores na Capitania dos Portos de Penedo, rumo à Piaçabuçu; depois de vistoriada, era liberada para fazer o transporte dos operários logo cedo e por volta das 07:00 horas quando transportava exclusivamente, o pessoal da administração.

Creditos: Raul Rodrigues